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Estudo da Economist Intelligence Unit mostra que ambiente de negócios ainda é moderado no Brasil; São Paulo é o único estado com classificação "muito bom"

Apesar da proximidade de eventos de grande interesse mundial, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, e do pré-sal, a maioria dos estados brasileiros não está pronta para receber investimentos estrangeiros. É o que conclui a segunda edição do Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros, realizado pelo grupo inglês Economist Intelligence Economist (EIE), com patrocínio do Centro de Liderança Pública (CLP).

De acordo com o levantamento, apenas seis estados tem um ambiente de negócios considerado favorável para investimentos: São Paulo – o único do país classificado como “muito bom” -, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Fonte: Economist Intelligence Unit
Reprodução
Fonte: Economist Intelligence Unit

A principal mudança entre os estados de destaque ficou com a queda do Distrito Federal, que recebeu nota 47,7 neste ano (abaixo de 50, o ambiente de negócios é considerado “moderado”), uma queda de 6,5 pontos frente ao registrado na lista de 2011. No caso do Distrito Federal, diz Robert Wood, pesquisador do EIE responsável pelo ranking, o caso de corrupção envolvendo Carlinhos Cachoeira prejudicou a qualificação da região na lista.

Para avaliar o ambiente de negócios nos estados, o ranking abrange 26 indicadores divididos em oito categorias. Ambiente político, ambiente econômico, regime triutário e regulatório, políticas para investimentos estrangeiros, recursos humanos, infraestrutura, inovação e sustentabilidade.

“O objetivo do ranking é causar um desconforto nos governantes para que eles melhores o ambiente de negócios nos seus respectivos estados”, diz Luiz Felipe d’Avilla, presidente do CLP. “Em política, adoramos criar o ‘falso problema’. Antes, os problemas do Brasil eram o câmbio e os juros. Claro que eles tem peso, mas a situação foi resolvida, mas o país segue com baixa competitividade”, completa.

Segundo o estudo, problemas com os sistemas fiscais e a burocracia são os grandes impedimentos para a melhora no ambiente de negócios no Brasil. Neste ano, a nota média dos estados brasileiros foi de 41,5, o que indica um ambiente de negócios “moderado”.Dos 27 estados, 12 tiveram notas superiores à média nacional.

Pouca mudança

As primeiras colocações do ranking permaneceram inalteráveis frente ao ano passado. São Paulo foi considerado o estado com o melhor ambiente de negócios do País, com nota 77,1, um leve recuo de 0,1 frente a 2011. Rio de Janeiro e Minas Gerais completam a lista, com 71,8 pontos (0,9 a mais que em 2011) e 62,8 pontos (1,3 a menos que em 2011), respectivamente.

Rio Grande do Sul (60,5), Paraná (59,5) e Santa Catarina (54,7) completam a relação dos estados com ambiente de negócios considerados “bons”. Na lista dos “moderados” estão Distrito Federal (47,7), Espírito Santo (47,1), Bahia (44,2), Amazonas e Mato Grosso do Sul (ambos com 43,1), Goiás e Mato Grosso (42,8), Pernambuco (40,8), Ceará (39,2), Sergipe (36,6), Pará (33,8), Paraíba (33), Rondônia (32,8), Alagoas (30,2), Rio Grande do Norte (29,7), Tocantins (28,8), Acre (28,1) e Roraima (27,8).

Os estados do Maranhão (23,5), Piauí (22,6) e Amapá (17,7) aparecem classificados como ambiente de negócios ruim. Os dois últimos mantiveram as posições do ranking de 2011, enquanto o Maranhão – que era classificado como moderado no ano passado – trocou de lugar com o Acre na lista deste ano.

Competitividade

Na comparação com a lista do ano passado, houve pouca mudança no Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros de 2012. Apenas oito estados subiram de posição: Santa Catarina, Bahia, Mato Grosso, Ceará, Pará, Rio Grande do Norte, Acre e Piauí.

“Um estudo do Raul Veloso [consultor econômico] mostrou que a indústria perde de 9% a 10% de competitividade ao ano. O único setor que tem ganho de competitividade atualmente é o agronegócio”, diz d’Avilla.

Para o presidente do CPL, o estudo mostra aos estados que conceder benefícios fiscais não é mais o principal fator para atrair investimentos. “Hoje, as empresas não decidem se instalar em um estado simplesmente pela questão fiscal. Há vários critérios em análise, como infraestrutura, qualidade de vida, competitividade, ambiente político, entre outros.”

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