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O spread, que é a diferença entre o custo de captação do banco e a taxa efetivamente cobrada ao consumidor final, atingiu 22,0 pontos percentuais em outubro, contra 22,3 pontos no mês anterior

Reuters

O mercado de crédito brasileiro acelerou o ritmo de expansão em outubro ao mesmo tempo em que as taxas de juros renovaram as mínimas históricas, mas a inadimplência continuava sem ceder, informou o Banco Central nesta quinta-feira.

O crédito total disponibilizado pelo sistema financeiro no Brasil subiu 1,4% em outubro, depois de ter expandido 1,16% em setembro. Trata-se da maior variação desde junho deste ano, quando a alta foi de 1,5%. Com isso, atingiu 51,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 2,269 trilhões.

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Dados divulgados pelo BC mostraram ainda que a inadimplência ficou em 5,9% no mês passado, mesmo patamar pelo quarto mês consecutivo. O principal vilão tem sido o calote nos financiamentos de automóveis que, em outubro, tiveram pequeno recuo sobre o mês anterior, passando de 6% para 5,9%.

"Para não dizer que tudo são flores, a inadimplência manteve-se estável, mas prevemos uma redução ainda este ano tendo em vista o crescimento da renda e redução da taxa de juros", voltou a repetir o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

A inadimplência tem deixado os bancos privados reticentes na concessão de crédito, reduzindo suas participações no mercado de crédito. Segundo o BC, a fatia relativa dos bancos privados nacionais, por exemplo, caiu de 37,2% para 36,7% no mês passado.

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Já os bancos públicos --que têm sido usados pelo governo para ajudar na redução dos juros-- elevaram seu peso no mercado, chegando a 46,7% no mês passado, ante 46,1% em setembro.

O BC informou também que o spread --diferença entre o custo de captação do banco e a taxa efetivamente cobrada ao consumidor final-- atingiu 22,0 pontos percentuais em outubro, contra 22,3 pontos no mês anterior. Foi o oitavo mês seguido de queda, período em que o BC fez importantes reduções na Selic.

Com isso, a taxa média de juros atingiu novo recorde de baixa ao chegar a 29,3% ao ano, baixa de 0,6 ponto percentual sobre setembro, também o oitavo mês seguido de queda. Para pessoa física, a taxa caiu 0,4 ponto percentual, para 35,4% em outubro e, para empresas, a queda foi de 0,5 ponto, para 22,1%. Ambas são as menores da série histórica do BC iniciada em 2000.

Desde agosto de 2011, o BC reduziu a Selic por dez vezes seguidas, levando-a para a mínima histórica de 7,25% ao ano. Na noite de quarta-feira, a autoridade monetária interrompeu esse ciclo ao manter a taxa básica de juros neste patamar.

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