Tamanho do texto

Acaba ciclo de 10 cortes consecutivos da taxa básica de juros, como previam analistas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve nesta quarta-feira a taxa Selic em 7,25% ao ano, finalizando um ciclo de 10 cortes consecutivos da taxa básica de juros. Mesmo assim, a Selic se encontra no menor patamar da história. A instituição também indicou que não deve mexer tão cedo na taxa, que serve de referência para o custo do crédito e para a maioria das aplicações financeiras, pois a economia brasileira só agora começa a se recuperar e a crise nos países desenvolvidos segue sem solução. A decisão foi unânime e já era esperada pela maioria dos economistas.

Previsão do mercado

A decisão confirmou a previsão da quase totalidade dos analistas. De acordo com levantamento do AE Projeções, serviço da Agência Estado, de 82 instituições financeiras consultadas, 81 apostavam na manutenção da taxa e apenas uma esperava uma queda de 0,25 ponto porcentual. Por sua vez, pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que todos os 60 analistas consultados previam manutenção da taxa básica de juros neste patamar.

Justificativa

A instituição também repetiu as afirmações feitas ao final da reunião anterior, em outubro, quando foi realizado o último corte de juros. "Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear", informou o Copom por meio de nota.

Próxima reunião

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de janeiro de 2013. A ata da reunião desta quarta-feira será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 6 de dezembro.

Taxa Selic

Evolução da taxa básica de juros da economia

Gerando gráfico...
Banco Central

Cenário econômico

Entre agosto do ano passado e outubro de 2012, foram realizados dez cortes seguidos nos juros, que estão hoje no menor patamar da história recente. As taxas para consumidores e empresas também atingiram mínimos históricos. A inflação, por outro lado, está em 5,45% nos últimos 12 meses, acima do centro da meta de 4,5%. Já a atividade econômica só agora começa a se recuperar, o que deve fazer com que o crescimento nos dois primeiros anos do governo Dilma Rousseff registre a segunda pior média da história recente, atrás apenas do governo Collor.

As previsões oficiais de crescimento para este ano são de 1,6%, pelo BC, e de 2%, pelo Ministério da Fazenda. Para o próximo ano, analistas já começaram a reduzir suas estimativas, cuja média está agora abaixo de 4%.

Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que os juros estão hoje mais próximos do verificado no resto do mundo. Ele disse, no entanto, que a instituição não abandonou a política monetária e poderá fazer ajustes nos juros, para cima ou para baixo, quando necessário.

* Com Agência Estado e Reuters


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.