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Brasil está na 37ª colocação em ranking após subir três posições desde 2000, mostra Fiesp

O Brasil encerra 2012 na 37ª posição no ranking de Índice de Competitividade elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O país registrou 22,5 pontos, em uma escala de 0 a 100, com alta de 0,1 ponto e subindo uma posição desde 2010. A partir de 2000, o Brasil ganhou apenas três posições, com variação de 5,1 pontos. A melhora no ranking ainda não tira o país do patamar considerado de “baixa” competitividade entre os 43 países analisados.

Os Estados Unidos mantêm a liderança, com 91,8 pontos, seguido por Hong Kong (75,3), e Suíça (74,7), com índices “elevados” de competitividade. O Brasil segue atrás de parceiros do Brics e outras economias emergentes, como China, Rússia, África do Sul, Argentina e México. O país asiático está entre os que mais avançaram no ranking desde 2000 — oito posições — atrás da Coreia do Sul, que subiu nove. Apenas a economia chinesa cresceu 15 pontos no mesmo período. De acordo com a Fiesp, os principais fatores que contribuíram para o ganho de competitividade do país asiático foram aumentos de produtividade da indústria, de gastos em pesquisa, desenvolvimento e educação, e crescimento do número de patentes registradas.

Segundo José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia, a estratégia que pode garantir um melhor desempenho do Brasil no ranking, nos próximos anos, é acelerar o crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nestes dois quesitos o país apresenta indicadores piores que a média geral das outras nações, além de variações menores às de ‘concorrentes’ classificados como de baixa competitividade.

Para Roriz, o ponto mais fraco da economia atualmente é o nível de produção industrial, em comparação com outros drivers, como consumo e investimentos. “A produtividade da indústria está em situação crítica”, afirmou Roriz. Ele defendeu que o Brasil siga um “modelo de investimentos” para sustentar taxas de crescimento maiores. “O que faz o PIB crescer é maior investimento e participação da indústria. O modelo baseado no consumo já está saturado”, criticou. Roriz destacou o acúmulo de reservas e a recente redução dos juros como pontos positivos da leve escalada do Brasil no ranking. Já entre os negativos, cita a redução das exportações de produtos manufaturados e de alta tecnologia.

O empresário também criticou desvantagens do país em relação às economias mais adiantadas em competitividade, como alta carga tributária (33,6% do PIB) e consumo do governo (20,7% do PIB), e baixo investimento fixo (19,3% do PIB). Segundo ele, o peso dos tributos correspondente ao IDH brasileiro (0,718) deveria ser de 21,6% do PIB, enquanto a formação bruta de capital fixo saltaria para 25% do PIB a fim de manter “altas taxas” de crescimento da economia. “Isso mostra a ineficiência dos gastos do governo. Tem que tributar o consumo, não os investimentos”, ressalvou. Segundo Roriz, a atual desvalorização do câmbio, além da desoneração da folha de pagamento e a revisão das tarifas de energia, contribuem para reverter a tendência de menor participação da indústria no PIB, prevista para 9,3% em 2029. “Um câmbio entre R$ 2,30 e R$ 2,50 poderia melhorar nossa situação competitiva, sem ser inflacionário”, diz.

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