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Essa é a avaliação de especialistas para quem a Selic deve encerrar este ano em 7,25%

Há um consenso no mercado de que o Comitê de Política Monetário (Copom) deve manter a taxa básica de juros em 7,25% ao ano, na última reunião de 2012, que ocorre hoje e amanhã. No entanto, para especialistas ouvidos pelo BRASIL ECONÔMICO são os investimentos que alavancarão a retomada do crescimento econômico no próximo ano e não mais os juros baixos.

Na última reunião do ano, Copom deve manter Selic em 7,25%

“É necessário migrar para investimentos produtivos, como no setor imobiliário para o país crescer mais”, destaca Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios,

Com a mesma opinião, Samy Balassiano, diretor de investimentos da Lecca, acredita em manutenção da taxa até o segundo semestre de 2013 e destaca os motivos. “O Brasil ainda não possui um desenho para trabalhar com juro real muito baixo porque existem empecilhos travam. O necessário agora, no curto prazo, é atrair capital para os investimentos, principalmente na infraestrutura”, pontua o diretor.

Para ele, a retomada de avanço da Selic deve começar apenas em agosto do ano que vem.

“O governo acertou em baixar os juros, pois tinha certeza que a economia mundial não iria melhorar e a demanda continuaria fraca. A partir do segundo semestre de 2013, o mercado externo pode se recuperar um pouco e comprometer a inflação no Brasil”, explica Balassiano, apostando em alta de 0,25 ponto percentual nas últimas quatro reuniões do próximo ano.

Neste sentido, o BNP Paribas alerta que o mercado de trabalho aquecido, os preços de alimentos e o “inevitável” reajuste na gasolina farão a inflação rodar em torno de 6,5% no quarto trimestre do ano que vem.

O estrategista da FuturaInvest, Adriano Moreno também acredita na manutenção e ainda prevê estabilidade durante o ano inteiro de 2013.

Alcides Leite lembra ainda que os bancos e o comércio ainda precisam assimilar os efeitos das reduções realizadas neste ano. “É necessário ter um tempo para que as baixas surtam o efeito necessário. A manutenção é certa, pois teremos um período de forte consumo com as compras de Natal e início da cobrança de tributos e mensalidades escolares inflacionadas em 2013.”

“Agora é a hora de gerar estímulos nos investimentos, uma vez que investir em títulos públicos está rendendo pouco.”

O professor estima ainda que se o governo mantiver a taxa em patamares reduzidos, os resultados em investimentos vão começar a aparecer em 2013 e 2014. Mas ressalta que o governo deve fazer sua parte para criar um cenário sustentável.

“Com certeza o setor privado cumprirá o seu papel, mas o setor público precisa controlar os seus gastos para contribuir também”.

Em relação a 2013, em que ocorre a eleição presidencial no Brasil, ambos os especialistas estimam que não haverá pressão por mais reduções, o que poderia comprometer a estabilidade.

“O que determina a corrida presidencial é o emprego e a renda. O desemprego deve seguir caindo, mas a renda continuará mantida nos próximos dois anos, o que levará o consumidor a continuar com seu poder de compra”, avulta Leite.

Balassiano aposta que a melhora efetiva da economia deve ser sentida já a partir de março, chegando a crescer entre 3% e 3,5% no próximo ano.

Taxas futuras

Na bolsa de valores, ontem, os juros futuros caíram. Além do pessimismo dos agentes, que já favoreceria o fechamento da curva, o boletim Focus, com a redução nas previsões para inflação e PIB, e o índice de confiança dos consumidores, que caiu pela segunda vez seguida, também favoreceram a diluição dos prêmios.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2015 caiu de 7,97% para 7,93%, enquanto o para janeiro de 2016 recuou de 8,46% para 8,43%. Com Lucas Bombana

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