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As exportações brasileiras para o país vizinho caíram quase 20% de janeiro a setembro deste ano

A presidente Dilma Rousseff desembarca amanhã na Argentina para uma visita de um dia e, durante encontro bilateral, tentará sensibilizar sua colega Cristina Kirchner na busca por mais integração como a melhor resposta aos problemas gerados no contexto da crise.

“É melhor integrar do que estabelecer formas não produtivas para enfrentar os desafios que aí estão”, disse uma fonte do Ministério de Relações Exteriores.

Desde que a turbulência internacional se intensificou, o governo argentino vem aumentando suas barreiras às importações. No ano passado estabeleceu um mecanismo a mais de controle, a Declaração Juramentada Antecipada de Importação (DJAI), que atrasa a entrada de mercadorias naquele país.

Um dos maiores imbróglios neste ano tem sido com a carne de porco brasileira, que teve seu ingresso barrado e agora vai sendo liberado a conta-gotas.

“A indústria brasileira espera que a presidente Dilma transmita as reclamações de desvio de comércio que estão ocorrendo em desfavor do Brasil”, disse Welber Barral, sócio da consultoria Barral M Jorge e ex-secretário do Comércio Exterior.

De fato, a maior queixa do Brasil é que as exportações vêm caindo em uma velocidade muito maior do que a de outros parceiros comerciais.

Segundo levantamento com dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), os desembarques verde-amarelos recuaram 19,4% entre janeiro e setembro em relação a igual etapa de 2011. Enquanto isso, a entrada de produtos vindos de outros mercados foram apenas 3,4% menores no mesmo período.

O governo brasileiro entende que, em razão da crise, naturalmente a demanda mundial diminui. No entanto, essa disparidade nos números, desconfia-se, pode indicar uma retaliação às mercadorias brasileiras em detrimento de outros países que, inclusive, nem são sócios. Diante das reclamações feitas em rodadas bilaterais os representantes brasileiros sempre ouvem um “vamos ver”. Mas a estratégia de barreiras segue.

Os obstáculos às vendas de setores brasileiros contribuíram para a perda de 3,6% na participação de mercado argentino. Segundo o INDEC, os setores prejudicados são linha branca, têxteis e confecções, móveis, máquinas agrícolas e autopeças.

Na leitura do Itamaraty, é natural que existam questões pontuais entre dois parceiros cujo comércio é intenso. Nos últimos dez anos, o fluxo de comércio aumentou significativamente: de US$ 7 bilhões, em 2001, para US$ 40 bilhões em 2011.

Já o estoque de investimentos do Brasil na Argentina soma US$ 15 bilhões e está disseminado em setores como o siderúrgico, obras públicas e agronegócio.

Na visita à Argentina, Dilma estará acompanhada do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Fernando Pimentel. Ambos participarão de seminário em comemoração aos 125 anos da União das Indústrias Argentinas (UIA), na cidade de Cardales, próxima a Buenos Aires.

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