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Crise política e econômica do país vizinho aponta aproximação de Kirchner apenas do governo venezuelano

Enquanto observa o desenrolar dos acontecimentos da crise política e econômica que paralisa o país vizinho — e um de seus principais parceiros comerciais —, o Brasil tenta cobrar da Argentina uma postura que favoreça a recuperação do comércio bilateral, em contínua retração. Mas, mesmo com o encontro previsto entre as presidentes brasileira, Dilma Rousseff, e argentina, Cristina Kirchner, na próxima semana, há expectativa que pouca coisa se modifique nessa parceria no curto prazo.

Na percepção de especialistas, a tendência que mais ganha força, depois das manifestações que paralisaram a Argentina nos últimos dias, é a de intensificação do isolamento do governo Kirchner — e consequentemente de todo o país no comércio regional e global. “Ela (Cristina Kirchner) se distancia cada vez mais de todos, da população, dos parceiros comerciais e até mesmo de seus antigos apoiadores. Hoje quem a apoia são poucos manifestantes de esquerda (de um movimento chamado La Cámpora), que querem cargos na direção nas empresas estatais”, diz o argentino Mario Gaspar Sacchi, professor do curso de relações internacionais da ESPM.

“Aparentemente, o governo argentino está muito mais próximo do venezuelano Hugo Chávez do que da brasileira Dilma Rousseff”, avalia Mario Sacchi.

Para Luis Dufaur, do Instituto Plínio Correa de Oliveira, a aproximação do governo Chávez, inclusive, contribuiu para a insatisfação popular que levou para as ruas milhares de argentinos por todo o país em inúmeras manifestações de descontentamento com o governo Kirchner. Entre os pontos da discórdia, estaria o interesse do movimento La Cámpora de reformar a Constituição para reeleger a atual presidente, seguindo o sistema utilizado por Chávez na Venezuela.

Diante deste cenário, o governo brasileiro reconhece que, enquanto a Argentina não estiver livre dos problemas causados pela crise econômica mundial e pelos conflitos internos enfrentados pela presidente Cristina Kirchner, dificilmente será possível que as exportações brasileiras alcancem patamares já vistos anteriormente.

Os setores de confecção e calçados estão entre os mais afetados pelas recentes restrições impostas pelo governo argentino às importações, mas outros também começam a ser afetados. A queda nas exportações para a Argentina se acentuou ainda mais em outubro, com vendas menores de automóveis e minério de ferro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No acumulado do ano, as vendas brasileiras para o país vizinho — e parceiro no Mercosul — registram recuo de 20,8% na comparação com o mesmo período de 2011. Somente em outubro essa baixa foi de 25,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, pela média diária em dólares. “Enquanto essa situação perdurar, é difícil retomar o vigor que (o comércio exterior) pode atingir quando há um ambiente de crescimento”, declarou recentemente a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres.

Só que as perspectivas para a economia argentina não reforçam em nada qualquer expectativa positiva de recuperação do comércio bilateral. O governo argentino projeta um crescimento de 3,4% do PIB este ano, mas muitos economistas dizem que a projeção é extremamente otimista. A agência de classificação de risco Standard & Poor's, por exemplo, prevê que o PIB do país cresça 1,5% em 2012.

Dados publicados pelo Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC), órgão semelhante ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam a retração nas relações comerciais da Argentina com outros países. Entre setembro de 2011 e setembro de 2012, as importações caíram 14%, enquanto as exportações diminuíram 12%. Entre os produtos vendidos para fora do país, os que mostraram percentual mais significativo de queda foram os primários, com 27%. Com agências

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