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Queda na balança comercial e o aumento das remessas de lucros e dividendos para o exterior contribuem para saldo negativo US$ 5,4 bilhões, pior até que a estimativa do BC

Reuters

O Brasil registrou em outubro o maior déficit em conta corrente para o mês na série histórica do Banco Central, por conta da queda no saldo da balança comercial e do aumento das remessas de lucros e dividendos para o exterior.

O déficit em conta corrente ficou em US$ 5,431 bilhões e foi pior que a estimativa do BC, de um déficit de US$ 4,9 bilhões, e da previsão de economistas consultados pela Reuters, de um saldo negativo de US$ 4,8 bilhões.

No acumulado em 12 meses encerrados em outubro, o déficit em conta corrente do país ficou em 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central.

Para novembro, a autoridade monetária já projeta que o rombo será de US$ 6 bilhões e, segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, isso ocorrerá pelas maiores remessas de lucros e dividendos e gastos de brasileiros no exterior, além do menor saldo comercial.

No mês passado, as remessas de lucros e dividendos pelas empresas estrangeiras que operam no país somaram US$ 2,355 bilhões, mais que o dobro do US$ 1,129 bilhão visto em setembro, e acima do registrado em outubro do ano passado.

O mau desempenho da balança comercial, por conta do aumento das importações, também tem pesado na conta corrente do país. Em outubro, o superávit comercial ficou em 1,659 bilhão de dólares, o menor em três anos para o mês.

As despesas de brasileiros no exterior superaram o gasto de estrangeiros no Brasil em US$ 1,536 bilhão em outubro, mais de 20 por cento acima do US$ 1,262 bilhão registrados em setembro.

PRODUÇÃO

Os investimentos estrangeiros diretos somaram em outubro US$ 7,7 bilhões --valor recorde para o mês-- indicando que o país continua atraindo forte fluxo de recursos para a produção, em um momento em que países desenvolvidos enfrentam uma grave crise.

Segundo o BC, os investimentos diretos deverão recuar para US$ 3 bilhões em novembro, por conta de uma operação de venda de ativos de uma empresa estrangeira no país.

Para o ano, a autoridade monetária projeta que os investimentos estrangeiros diretos ficarão em 60 bilhões de dólares, mais do que o suficiente para cobrir todo o déficit em transações correntes esperado para o período, de US$ 53 bilhões.

No acumulado do ano até outubro, os investimentos somaram US$ 55,306 bilhões, enquanto o déficit em conta corrente chegou a US$ 39,554 bilhões.


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