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Caso o Brasil mantenha sua participação, volume pode chegar a US$ 240 bilhões

US$ 8 trilhões. Este é o valor que a China pretende estar importando em 2015. Um salto ambicioso, e que pode elevar o Brasil a um novo patamar no comércio exterior. Caso o país mantenha sua participação na pauta chinesa, o volume de exportações para o principal parceiro comercial saltaria de US$ 44 bilhões para US$ 240 bilhões. Em 2011, o gigante asiático importou US$ 1,7 trilhões, apenas 21% de sua projeção.

Para o embaixador chinês no Brasil, Li Jinzhing, será fundamental a parceria entre os dois países. “A cooperação com o Brasil é prioritária.”

Entre os itens de maior demanda, segundo especialistas, estão produtos alimentícios.

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Ainda que o Brasil engatinhe na área de alimentos processados, o país é reconhecido internacionalmente como um celeiro. Para o professor Kerry Brown, do centro de estudos da China da Universidade de Sidney, esta é uma aposta quase certa para executivos brasileiros. “Com a urbanização, cada vez há menos terras para plantio na China. Eles terão de importar cada vez mais alimentos. Isso é inevitável”, diz Brown.

Claudio Frischtak, consultor do Conselho Empresarial Brasil-China, destaca que já há alguns anos o país asiático deixou de ser autossuficiente em alimentos. “Hoje, a China precisa ser uma prioridade tão grande quanto Estados Unidos e União Europeia”, orienta.

No entanto, a competição em um mercado que preza por preços baixos, diz José Antonio do Prado Fay, presidente da BR Foods, pode ser sacrificante. “Há problemas graves referentes à lucratividade para empresas brasileiras. A demanda é muito grande, mas atingir os preços exigidos pela maior parte da população é muito difícil.”

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Na outra ponta do consumo, de itens com alto valor agregado, o caminho também pode ser turbulência, garante Frederico Fleury Curado, diretor-presidente da Embraer. Segundo o executivo, apesar dos problemas iniciais enfrentados para fabricar aviões na China, o retorno tem sido satisfatório.

Somente neste ano, até outubro, a companhia já exportou US$ 670 milhões para o país asiático. Isso, somado à produção local, coloca o gigante como um dos principais mercados para a Embraer. “Depois de investir mais de US$ 50 bilhões, ao longo de 12 anos, temos cerca de 10% de nossas receitas provenientes da China”, diz.

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Um dos riscos com um mercado potencial tão grande quanto US$ 8 trilhões é a dependência de um mercado que nem sempre é confiável. Para Luciano Siani, diretor da Vale, a saída é estabelecer um relacionamento de longo prazo, garantindo a demanda pelos produtos. “Houve um tempo em que éramos inimigos da sociedade chinesa”, conta Siani. Ele diz que, por isso, os chineses estão deixando de lado contratos de longo prazo, migrando para contratos de entrega imediata. “Metade de nossas receitas provém da China, enquanto que 20% de todo o minério de ferro que eles importam é da Vale. Neste caso, no qual existe uma grande interdependência muito grande, foi difícil criar um relacionamento.”

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