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Contribuição negativa da compra de bens de capital e insumos em 2011 era de 21%

Brasil Econômico

As importações industriais, que crescem paradoxalmente à queda da indústria em 2012, estão ajudando a reduzir o Produto Interno Bruto do setor neste ano. Enquanto que em 2011, a contribuição negativa das importações no PIB industrial era de 20,9%, agora já chega a 23,6%. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de compras externas feitas pela indústria nacional corresponde a um terço do PIB do setor.

De acordo com Priscila Godoy, economista da consultoria Rosenberg, essa contribuição já chegou a ser maior. Em 2008, ano em que foi deflagrada a crise internacional, as importações industriais consumiam 24% do PIB potencial do setor. “É um fator que pesa negativamente”, diz a economista.

As importações feitas pela indústria, normalmente de insumos para a produção, somam até agosto US$ 155,4 bilhões em doze meses, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Os números mostram uma elevação em relação aos doze meses de 2011, no qual as importações industriais somaram US$ 142,1 bilhões.

Nos últimos quatro trimestres, o setor externo tem jogado contra no cálculo do PIB.

Com um crescimento de apenas 1,2% em doze meses do país, as importações contribuem negativamente com 0,67 ponto percentual, enquanto que as exportações com um contribuição positiva de 0,35 ponto percentual. No saldo, é um prejuízo de 0,32 ponto percentual apesar da balança comercial ainda apontar superávit.

Para o economista André Perfeito, da correta Gradual Investimentos, a contribuição negativa é resultado de um sistema industrial incompleto no país. “Existem muitos insumos e produtos que nossa indústria não produz. Ela não é autossuficiente. Por isso existe um peso tão grande dos importados sobre o cálculo do PIB industrial e do PIB do país”, explica.

Ele compara o Brasil com outros países da América Latina, como o Chile, que começa a experimentar alguns dos problemas ocasionados pelo aumento da renda da população.

Segundo o economista, as indústrias de ambos os países não têm condição tecnológica para suprir a demanda por automóveis, computadores e outros eletrônicos. “Grande parte da população hoje tem acesso a computadores, porém, muitas partes e peças são feitas no exterior. Não há condições competitivas de criar uma fábrica de semicondutores no Brasil”, diz André Perfeito.

Quanto às perspectivas para o setor externo, afirma o economista, o melhor que pode fazer é não atrapalhar. “No cálculo do PIB, as importações têm um peso maior do que as exportações. As vendas precisam crescer em taxas muito maiores do que as compras, o que não tem sido a tendência do país”, conta o economista.

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