Tamanho do texto

Autoridades participam de reunião em Paris para defender a capital paulista como sede de evento mundial

As obras de mobilidade urbana da cidade de São Paulo ganharão investimentos de peso do governo estadual até 2020. Já estão previstos pelo Palácio dos Bandeirantes aportes de R$ 4,4 bilhões no setor como parte do plano de candidatura da capital paulista para sediar a Expo 2020, maior evento internacional para exposição de políticas urbanas, sociais e econômicas.

O investimento inclui a construção da estação Vila Clarice na linha 7-Rubi da CPTM (R$ 150 milhões); das alças de acesso viário entre a Rodovia dos Bandeirantes e a região de Pirituba — norte da cidade e local destinado para receber o evento (R$ 270 milhões) — além da nova linha de trem expressa ligando São Paulo a Jundiaí (R$ 4 bilhões). “Nossa prioridade é investir em projetos de mobilidade urbana para fornecer acesso à Expo 2020 e ao estádio de Itaquera, para a Copa do Mundo”, afirma o assessor especial para Assuntos Internacionais do estado, Rodrigo Tavares. A Expo 2020 está na seleta lista dos três maiores eventos no planeta, depois da Copa do Mundo de futebol e dos Jogos Olímpicos.

A candidatura oficial de São Paulo será apresentada amanhã, em Paris, na França, por comitiva liderada pelo atual prefeito paulistano, Gilberto Kassab (PSD), o prefeito eleito, Fernando Haddad (PT), e o secretário estadual da Casa Civil, Sidney Beraldo, durante a Assembleia Geral do BIE (Bureal International des Expositions), entidade responsável pela organização da Expo. As três obras de mobilidade serão os compromissos do estado com a candidatura municipal. “A Copa e as Olimpíadas são um sinal de que o Brasil está preparado para realizar eventos de grandes porte. É um sinal de confiança da comunidade internacional”, observa Tavares.

Com tamanha repercussão, a Expo tem sido tratada pelo governo paulista como “um dos maiores projetos de desenvolvimento urbano da história de São Paulo”, com consequências econômicas e até políticas para a maior cidade do país. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab assinarão um termo de compromisso, em dezembro, entre o governo estadual e prefeitura, enquanto um cronograma conjunto de trabalho será discutido logo após o retorno da França. As metas da candidatura também passarão a ser acompanhadas, a partir de 2013, por Haddad e seu novo secretariado. “Teremos uma parceria robusta com a Prefeitura. Não podemos pensar em ciclos de quatro anos, temos que enxergar em médio e longo prazo”, diz Tavares.

A mobilização ‘suprapartidária’ em torno do pleito paulistano não deixa de revelar a preocupação das lideranças políticas locais em manter a cidade em exposição na agenda internacional, à medida que o Rio de Janeiro, por exemplo, já tem presença garantida no noticiário estrangeiro até 2016. A partir do ano que vem, a capital fluminense sediará a Jornada Mundial da Juventude da Igreja Católica, com visita prevista do Papa Bento XVI e de 2 milhões de jovens; a final da Copa das Confederações e da Copa do Mundo; e os Jogos Olímpicos. Em 2015, a cidade também abre as comemorações dos seus 450 anos de fundação.

Caso conquiste o direito de sediar a Expo 2020, São Paulo deverá receber cerca de 30 milhões de visitantes nos seis meses de evento, entre maio e novembro. Segundo Tavares, o plano de candidatura destacará três “vantagens” distintas da capital paulista: é um laboratório multicultural de emigrantes e descendentes; exerce papel de potência econômica mundial; e pode trazer a Expo, pela primeira vez, à América Latina. A escolha da cidade vencedora será anunciada pelo BIE em novembro do ano que vem.

Plano do estado busca parceria com outros países

A candidatura de São Paulo para sediar a Expo 2020 é uma das 54 metas do programa de relações internacionais elaborado pelo governo estadual. Em execução desde o ano passado, a iniciativa faz parte de uma nova estratégia do Palácio dos Bandeirantes para promover parcerias e intercâmbio de projetos entre estados e prefeituras de outros países.

Segundo Rodrigo Tavares, assessor especial para Assuntos Internacionais do governo paulista, o estado é o primeiro no Brasil a institucionalizar legalmente uma política internacional, incluindo as agendas das 26 secretarias estaduais. A partir de um “embasamento político e logístico”, o plano prevê internacionalizar a economia do estado, além de importar e exportar as melhores práticas em políticas públicas.

Na esfera dos negócios, conta Tavares, o governo estadual mantinha, até setembro, diálogos com 64 propostas de investimento estrangeiro direto (IED) no estado. Estas somariam R$ 29 bilhões, com potencial para criação de 57 mil novos postos de trabalho. “Queremos atrair recursos humanos e financeiros para o estado”, afirma Tavares. Desde janeiro de 2011, 60 acordos internacionais foram assinados pelo Palácio dos Bandeirantes, apesar das condições ruins para novos negócios encontradas atualmente na União Europeia, por exemplo.

“Na verdade, a crise europeia tem nos beneficiado. Ao contrário dos governos locais, São Paulo tem projetos em sua carteira para oferecer às empresas europeias”, assinala Tavares.

Como atrativo para o acerto de novas parcerias fora do país, ele destaca os investimentos previstos pelo estado de R$ 64 bilhões na área de infraestrutura até 2015. A integração das 26 secretarias do estado às metas do plano internacional não contempla, no entanto, a abertura de escritórios do governo fora do país.

Sede do evento vai substituir Anhembi

Para que Pirituba, localizada no noroeste da capital, seja eleita a cidade-sede da Expo 2020, a Prefeitura de São Paulo, representada pelo o atual prefeito Gilberto Kassab e o eleito Fernando Haddad, fará parte do pleito, amanhã, em Paris.

Segundo o secretário municipal de relações internacionais da Prefeitura, Alfredo Cotait Neto, todos estão muito otimistas. Pirituba concorre com Ekaterinburgo (Rússia), Izmir (Turquia), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Ayutthaya (Tailândia). “Nosso otimismo se baseia no fato de sermos a única cidade da América do Sul a apresentar condições de receber um evento dessa magnitude. Com certeza estaremos na final”, acredita o secretário.

De acordo com Neto, neste terceiro encontro será apresentada a versão final do projeto que reestruturará a região. “A nossa proposta é sediar em Pirituba um novo centro de exposições em uma área de cinco milhões de metros quadrados”, explica o secretário.

O projeto, orçado em aproximadamente R$ 6 bilhões, com aportes previstos por parte da Prefeitura de R$ 1 bilhão, será apresentado a uma comissão de 161 países, que fazem parte da Bureal International Expositions, órgão responsável por escolher a cidade-sede.

Segundo o secretário, o pavilhão do Anhembi, na zona central da capital paulista, com 60 mil metros quadrados, não consegue mais atender totalmente a demanda de grandes eventos internacionais. “Não podemos abrir mão do turismo de negócios, uma das principais atividades da capital. E Pirituba sendo escolhida como cidade-sede, as obras nesse sentido só tendem a acelerar”, explica, obsevando que os benefícios serão diversos, como geração de mão de obra e renda para a população.

Ainda segundo Neto, o objetivo principal de todos os envolvidos na reunião, que vai avaliar os projetos para a Expo 2020, é o legado que esse tipo de evento pode proporcionar não só para a região, mas para todo o país. “A Expo vai acelerar uma série de investimentos necessários, mas que são postergados por falta de data definida e até mesmo recursos”, completa.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.