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Gastos públicos com internações em 2011 foram de R$ 89,3 mi; no primeiro semestre de 2012, R$ 43,4 mi

Os caminhos para a prevenção do diabetes e o tratamento da doença estão mais eficazes, mas ainda há um longo caminho a percorrer. O Dia Mundial do Diabetes foi lembrado na última quarta-feira e, segundo levantamento do Ministério da Saúde, houve uma estabilização decorrente do diabetes. O estudo mostrou que nos primeiros semestres dos anos de 2010 a 2012, a média de hospitalizações foi de 72 mil, número visto como um avanço pelo ministério por conta do crescimento do acesso a medicamentos gratuitos e ampliação dos cuidados de atenção básica no país. Um estudo da médica Luciana Bahia, do departamento de Farmacoeconomia da Sociedade Brasileira de Diabetes, chamado Escudi - Estudo de Custos do Diabetes, aponta que o envelhecimento da população e o aumento do diabetes no mundo são algumas das causas do impacto econômico provocado pela doença, que, por sua vez, exige maior demanda por tratamento. Para o estudo, realizado em 2007, foram ouvidos mil pacientes adultos em oito cidades brasileiras, do ponto de vista do tratamento ambulatorial, ou seja, medicamentos, tiras reagentes, insulina, exames e consultas

“O dado per capita por ano era de R$ 2.900 em 2007 e, atualizados para 2012, levando em conta a inflação no período, verificamos que este custo subiu para R$ 5.200 por ano por pessoa no Brasil, tomando por base o atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS). Já no sistema privado, o paciente gasta R$ 12 mil por ano por pessoa”, explica Luciana Bahia.

Ela ressalta que quando há complicações decorrentes da doença, o gasto quase triplica no SUS. Em 2012 , segundo ela, o Ministério da Saúde gastou só com insulina R$ 15 milhões.

“O programa de assistência ao diabético na farmácia popular é grandioso. O Brasil é o maior comprador de insulina do mundo. É uma doença que tem um alto impacto econômico, clínico e social. O paciente morre mais cedo, se aposenta mais cedo e todos estes acontecimentos geram impactos econômicos e familiares", acrescenta a médica.

A oferta de medicamentos gratuitos por meio do programa Saúde Não Tem Preço começou em fevereiro de 2011. Desde o início do programa, 4,1 milhões de pessoas foram beneficiadas com medicamentos para tratamento do diabetes sem gastos. O ministério também levantou dados sobre o custo com internações por diabetes, no período de 2010 ao primeiro semestre de 2012. Somente com internações, os gastos públicos em 2010 foram de R$ 83,2 milhões e, em 2011, R$ 89,3 milhões e nos seis primeiros meses de 2012, os custos ficaram em R$ 43,4 milhões. O ministério informou que os gastos do governo federal com a doença não podem ser mensurados somente com esses números, uma vez que há também um forte investimento na Atenção Básica.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Balduíno Tschiedel, o Brasil tem avançado bastante nos investimentos em saúde, mas ainda destinamos menos de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) para este fim. Ele elogiou algumas iniciativas governamentais como o programa Saúde Não Tem Preço. Mas diz que estas e outras iniciativas ainda esbarram na falta de capilaridade para que os resultados sejam ainda mais eficientes: “O programa do governo de acesso a medicamentos veio em boa hora e ajuda em muito portadores de doenças crônicas como o diabetes. Mas ainda há muito caminho pela frente no que diz respeito à capilaridade do sistema. Mas não podemos deixar de elogiar iniciativas do ministério, sobretudo ao diabetes tipo 2”.

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