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Estudo da Pew mostra que 70% dos bolsistas retornaram ao país para atuar em pesquisa

A mobilização conjunta de iniciativas do governo, das universidades e das empresas tem começado a desenhar uma nova perspectiva para ampliar a oferta de mão-de-obra de alta qualificação no Brasil, especialmente atraindo de volta ao país pesquisadores brasileiros que atuavam no exterior. Ainda que apenas os primeiros sinais dessa mudança comecem a ser percebidos, eles apontam para a possibilidade de reversão do déficit de profissionais que o Brasil enfrenta em áreas como engenharia ou biotecnologia.

Mas, por mais que o cenário esteja em transformação, o país ainda está longe de ter uma participação contundente no trânsito internacional de geração de conhecimento. Para reverter esse cenário, não são só o governo brasileiro — por meio de programas como o Ciência Sem Fronteiras (leia mais ao lado) — e as empresas que estão se movimentando para contribuir para mais brasileiros estudarem no exterior. Instituições estrangeiras também veem no crescimento do país uma oportunidade para atrair novos estudantes, que, na maioria dos casos, têm voltado para trabalhar no Brasil.

Foi isso que a Pew detectou em um levantamento que aponta que 70% dos brasileiros que receberam bolsas para estudar nos Estados Unidos até 2006 retornaram ao Brasil. A taxa é alta se comparada a outros programas de doutorado e pós-doutorado no exterior. “O Brasil sempre nos traz fortes candidatos que, em geral, também são muito comprometidos em retornar a seu país para levar esses conhecimentos”, diz Anita Pepper, diretora dos programas da Pew em Ciências Biomédicas, que fica na Filadélfia. Segundo os dados da Pew, 83% desses brasileiros que retornaram ao país, voltaram também para atuar em suas instituições de origem.

Desde o início do programa de Fellows latino-americanos, há duas décadas, a Pew já investiu mais de US$ 18 milhões. Somente os cientistas brasileiros e seus projetos de pesquisa já receberam mais de US$ 5 milhões. A Pew seleciona anualmente 10 cientistas da América Latina para fazerem parte do programa Pew Fellows Latin America. Os brasileiros se destacam com o maior número de adesão ao programa.

Inserção global

A inserção das companhias instaladas no Brasil no contexto global de pesquisa tem sido um fator determinante para que mais empresas aprimorem seus quadros de pesquisadores. Foi esse contexto que trouxe Gabriela Gebrin Cezar de volta ao Brasil para integrar a equipe da Pfizer como diretora sênior para Brasil e América Latina em Pesquisa e Desenvolvimento, Inovação e Parcerias Estratégicas em Pesquisa. Recentemente, foi escolhida pela revista Forbes como um dos 12 cientistas revolucionários em células tronco — sendo a única mulher entre todos os selecionados.

“A experiência de estudos no exterior traz também um aprimoramento da cultura empreendedora estrangeira para as universidades brasileiras. E, em uma economia global que será cada vez mais centrada em inovação, os pesquisadores se tornarão essenciais para o desenvolvimento”, diz Gabriela.

A conjuntura para casos assim se tornarem cada vez mais comuns no Brasil também tem sido dada pelo aumento da maturidade das universidades ao trabalharem lado a lado com a iniciativa privada que, por sua vez, tem ampliado os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A Pfizer, por exemplo, montou um novo laboratório em Itapevi, interior de São Paulo, contratou quatro cientistas e tem perspectiva de expansão em breve.

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