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Atrasado nas reformas estruturais e nos investimentos, Brasil está menos atraente para os estrangeiros

Com menos burocracia, tributos e intervenção estatal e mais reformas liberalizantes e investimentos do que o Brasil, Colômbia e Peru estão brilhando mais e ficando cada vez mais charmosos aos olhos dos estrangeiros. O Chile, que já se destacava como economia madura, continua ganhando fôlego, apesar das limitações de seu mercado.

Indicações sobre o desempenho dos vizinhos aparecem nos índices de crescimento. Levantamento da consultoria MB Associados junto a bancos, agências de rating e outras consultorias indica que o Brasil fechará 2012 com PIB crescendo 1,8%. Em 2013, o incremento deve ser 4%. No Peru, o incremento é de 6% neste ano e deverá chegar a 6,3% em 2013. Na Colômbia, 4,2% e 4,6%. Para o Chile, os índices são de 4,8% e 4,6%.

E a distribuição dos investimentos estrangeiros diretos (IED) na América Latina, que cresceram 8% no primeiro semestre, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), dá sinais inequívocos sobre a percepção que esses índices levam às mesas dos tomadores de decisões. Enquanto o Brasil assistiu os fluxos caírem 2%, o Chile viu a entrade de recursos crescer 80%. No Peru, incremento foi de 31% e, na Colômbia, 18%.

Acontece que Colômbia e Peru tomam o investimento estrangeiro direto como instrumento para sustentar o crescimento de longo prazo, afirma Nader Nazmi, diretor do BNP Paribas. “Eles buscam formas para estimular a entrada de capitais e dão transparência a esses processos, sem criar restrições.”

O Brasil, embora não tenha criado obstáculos à entrada de investimentos produtivos, taxou investimentos financeiros, provocando desconforto nos estrangeiros, que estranham as mudanças de regras. “O governo dá sinais de que não gosta de capital privado”, diz o economista Andrew Frank Storfer, da consultoria Boucinhas & Campos. Além do mais, a falta de consistência aparece também nos índices de crescimento, sintoma anterior ao soluço deste ano. “O governo falou que o país cresceria 5% no ano passado e o índice ficou em 2,7%. Neste ano, insistiu em 4,5% e não chegará a 1,8%. Para 2013, fala em 4,5%, mas não creio que chegaremos a 3%”, diz.

A execução de reformas estruturais é uma das principais razões para os avanços recentes de Colômbia e Peru e o crescimento consistente do Chile. “Os países que seguiram o caminho de reformas econômicas conseguiram manter uma base forte de crescimento nos últimos anos, algo que o Brasil também conseguiu nos períodos pós-reforma das décadas de 60 e 90. Especialmente o Chile tem mantido um padrão constante de crescimento elevado justamente por manter um padrão de reformas liberais que não fazemos desde 2005”, diz Sergio Valle, economista-chefe da consultoria MB Associados.

A letargia brasileira diante das reformas estruturais atravanca o progresso econômico. “O Brasil precisa se focar no que é relevante. Mas Brasília ainda fica muito atada a termos como ‘neoliberalismo’, que não ajudam na hora de fazer as reformas”, diz Valle, exemplificando: “Vemos isso nos planos de concessão, em que a mão forte do Estado tem mantido um contrapeso que afasta o setor privado. Basta ver o caso do corte de tarifa de energia via quebra de contrato”, aponta Valle.

Baixo crescimento, falta de competitividade e recuo no investimentos são fatores imbricados, diz o engenheiro e economista Ingo Plöger, da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional. “Passamos muito tempo com câmbio sobrevalorizado e taxas de juros altos. Agora, estamos no caminho certo, mas a reação - retomada da competitividade, em contraposição ao aumento de importações, principalmente da China- leva dois ou três anos.”

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