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Representantes brasileiros chegam ao país uma semana após definição de novo governo

Uma missão de representantes do governo e de 18 empresas brasileiras chega à China menos de uma semana após ser definido oficialmente o novo comando daquele país, com Xi Jinping na presidência e Li Keqiang como primeiro-ministro. Em uma estratégia denominada como “focada” — porém, ainda de menor valor agregado —, o Brasil vai oferecer produtos alimentícios como carnes bovina, suína e de frango, vinhos espumantes e café in natura para os chineses entre os dias 20 e 23 deste mês. No grupo estão representantes de JBS, Seara, Marfrig, Miolo, Casa Valduga, Vinícula Garibaldi, Salton.

“Queremos consolidar a relação de alto nível e aproveitar para que nossas exportações subam degraus na escala de valores dos alimentos”, disse ao BRASIL ECONÔMICO Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

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Do ponto de vista político, os representantes do governo brasileiro vão participar de reuniões da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). A secretária ressalta que, embora a relação geral dos parceiros não deva ser alterada com a troca de comando, é fundamental que o Brasil se mostre presente neste momento. “O Brasil precisa estar de maneira consistente e regular lá. Com a China, em especial, a relação com o governo gera possibilidades de negócios”. Nesse sentido, para 2013, há ao menos mais 12 missões ou participações de brasileiros em eventos chineses sendo programados.

Desequilíbrio

Apesar dos esforços brasileiros para ingressar naquele mercado, a grande crítica que se faz na relação comercial entre os dois países é que as exportações brasileiras são muito concentradas em commodities: cerca de 70% dos embarques são de soja e minério de ferro.

E não é apenas isso. Um levantamento feito pela consultoria de comércio exterior Guedes, Bernardo e Imamura, com a média ponderada considerando quantidade e preço dos produtos comercializados mostra que as exportações chinesas para o Brasil são em menor quantidade, entretanto, muito mais caras do que as nossas vendas para o país asiático.

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Isso quer dizer que, para ainda manter um superávit comercial de US$ 6,46 bilhões para o lado brasileiro, é preciso embarcar uma quantidade muito significativa de mercadorias do que as que vêm desembarcar nos portos brasileiros.

“Não é trivial vender na China e não se pode buscar competir por preço em manufaturados de maneira geral”, defende a secretária, ressaltando que o objetivo desta missão é explorar a competitividade que o país tem no agronegócio e onde há potencial para o crescimento das exportações verde-amarelas.

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Segundo ela, o Brasil já vende carne in natura, mas agora é preciso elevar as remessas desses alimentos processados.

Além disso, durante as conversas de governo, será feito um pedido para mais habilitações de produtores do agronegócio, o que pode dar um impulso extra aos embarques. “No momento em que uma empresa, como a BR Foods, faz novos negócios na China, com mais canais de distribuição e parceiros locais, começa a diversificar a gama de produtos que vende lá, outros congelados, como lasanha”, diz.

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