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Presidenta Dilma participará pela primeira vez da Cúpula Ibero-Americana nesta sexta-feira, em Cádiz (Espanha)

AFP

Com um discurso a favor de promover o emprego e o consumo, em vez de mais ajustes para enfrentar a crise, a presidente Dilma Rousseff participará pela primeira vez da Cúpula Ibero-Americana, em Cádiz (Espanha), e se reunirá em Madri com o chefe de governo espanhol, que busca fortalecer a relação com o Brasil. 

Dilma participará primeiro da Cúpula Iberoamericana, que será realizada na sexta-feira e no sábado, onde ibéricos e latino-americanos se encontrarão em uma situação diferente da dos tempos de criação do fórum, agora com a crise econômica do lado europeu do Atlântico.Para o Brasil, é um momento de "mostrar solidariedade e a importância da associação com Portugal e Espanha", na qual Dilma defenderá suas políticas de "menos ajuste e mais estímulo ao consumo e à criação de emprego" diante da crise, disse o porta-voz da Chancelaria brasileira, Tovar Nunes.

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Dilma cancelou sua ida à Cúpula Iberoamericana de Assunção no ano passado, a primeira de seu governo iniciado em janeiro de 2011, alegando problemas de agenda. Liderando a sexta economia mundial, Dilma participará na segunda-feira em Madri de uma reunião bilateral com Mariano Rajoy - cujo governo conservador expressou a intenção de reforçar a relação com o Brasil - e almoçará com o rei Juan Carlos.

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A Espanha, o segundo maior investidor no Brasil, se for calculado o acumulado de investimento estrangeiro, colocou no país 33% de seu investimento total na América Latina, com desembolsos de grandes empresas, como o banco Santander, a Telefónica ou a elétrica Iberdrola, segundo dados da embaixada espanhola em Brasília. "A relação bilateral vive um momento muito positivo", declarou o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, na terça-feira a jornalistas.

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Um dos temas que serão discutidos entre Dilma e Rajoy é um possível acordo de imigração atualmente em estudo para facilitar a concessão de vistos de trabalho a espanhóis para atuar em território brasileiro, indicaram fontes de ambos os lados. "Queremos discutir com o governo brasileiro a possibilidade de facilitar a obtenção de vistos", informou recentemente o embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Cámara. O governo brasileiro estuda uma reforma na lei de imigração para possibilitar a recepção de profissionais espanhóis por períodos limitados de tempo e em áreas específicas, como engenharia e áreas de inovação nas quais falta mão-de-obra no Brasil, informou uma fonte do governo.

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Este debate migratório ocorre no momento em que o desemprego na Espanha supera os 25% e em que perde força a tensão provocada pelo bloqueio da entrada de brasileiros na Espanha, fato que levou o Brasil neste ano a aumentar as exigências para a entrada de visitantes espanhóis em seu território como forma de reciprocidade. "Para nós, a Espanha é muito importante, não apenas pelo investimento, mas também na área de tecnologia, ciência e inovação", explicou o porta-voz da Chancelaria. O Brasil assinou acordos com a Espanha para a pós-graduação de brasileiros em universidades do país.

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Rajoy e Dilma já se reuniram em 19 de junho durante a cúpula do G20 realizada no México. Em junho, o rei espanhol visitou o Brasil com uma missão empresarial e Rajoy participou da cúpula da ONU sobre desenvolvimento sustentável Rio+20.Brasil e Espanha estabeleceram uma aliança estratégica em 2003.

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