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Nações latinas como Peru, Colômbia, Chile e até México têm chamado mais atenção

Ao amargar dois anos consecutivos de crescimento bem menor do que as expectativas apontavam, 2,7% em 2011 e 1,5% neste ano, o Brasil tem brilhado menos aos olhos de alguns investidores. Ao menos aqueles ligados a fundos de pensão e fundos soberanos estão voltando os olhos a países vizinhos, como Peru, Colômbia, Chile e até México, que têm apresentado média de expansão maior.

“Esse tipo de investidor está em compasso de espera. Houve fundo de pensão que até tirou dinheiro do Brasil recentemente. Eles estão olhando para vários países da América Latina e vendo que as perspectivas para o ritmo de crescimento está muito mais forte, com oportunidades de investimentos muito boas”, conta Mansueto de Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tem sido procurado por representantes desses fundos que, após reuniões com integrantes do governo, saem em busca de informações mais isentas.

Segundo ele, o apetite pelo Brasil diminuiu um pouco. Pudera, as perspectivas de ampliação do produto dos vizinhos vai além das projeções feitas por analistas brasileiros para o próprio país. Para Mansueto, aqui o Produto Interno Bruto (PIB) deve expandir algo entre 3% e 3,5%, muito embora o governo aposte novamente em 4,5% — estimativa oficializada no Orçamento para 2013.

Dados da agência de classificação de risco, Fitch Ratings mostram que o crescimento do país está estimado em 4,2% no ano que vem, e 4% em 2014. Já no Peru, 6,2% e 6,3%, respectivamente. Na Colômbia, 4,6% e 4,9%. A expansão prevista para o Chile é de 4,8% em 2013 e 5% no ano seguinte. O México, apesar da recuperação recente, ainda deve crescer um pouco menos do que o Brasil (3,6% e 3,8%), segundo a agência.

O cenário não é muito diferente do que vem sendo observado desde meados da década passada. Das cinco economias, a média de expansão do Brasil perde para duas as menores, mas cresce frente à mexicana. Entre 2006 e 2010, enquanto o Brasil aumentou seu PIB, em média, 4,5%, Peru, Colômbia e Peru cresceram 7,2%, 4,6% e 3,8%.

Segundo as percepções dos investidores de fundos repassadas a Mansueto, alguns pontos estruturais da economia brasileira — que não são novos e sempre impediram crescimento maior de longo prazo — ficaram evidentes com o menor crescimento econômico em um ambiente de crise global e arrefecimento do preço das commodities. “Com a queda forte da taxa básica de juros, o ganho fácil no Brasil está deixando de ser regra, o mercado de ações está patinando. Então eles começaram a olhar para fatores que poderiam afetar o crescimento do país no longo prazo e ficaram um pouco assustados”, afirma.

O economista elenca os “novos-velhos” problemas da economia brasileira, como baixo nível de investimento público, de qualificação de mão de obra, de educação, marcos regulatórios em constante revisão. Além disso, a carga tributária segue muito elevada, em torno de 35% do PIB, em relação ao estágio de desenvolvimento do país. “Esses outros quatro países têm uma carga de impostos muito menor”, compara.

O governo conta com os fundos de pensão e fundos soberanos estrangeiros para participar dos projetos de infraestrutura, principalmente no que diz respeito às concessões para rodovias e ferrovias, cujo pacote foi anunciado em meados deste ano. É esperado, em 25 anos, um aporte no volume de R$ 133 bilhões nas concessões para reforma, ampliação e criação de rodovias e da malha ferroviária brasileira.

Muito embora tenha a impressão clara dos analistas que o procuram, Mansueto assegura que o dinheiro externo continuará vindo em direção ao Brasil. “Mas precisaremos de muito mais porque não temos sobra de recursos interna para financiar essa montanha de investimento para os planos de concessão”.

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