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Segundo empresa, 93% das pessoas com "ficha limpa" sempre foram bons pagadores

Nos últimos anos, o Brasil viveu uma situação aparentemente contraditória. O nível de desemprego caiu, até chegar a 6% em 2011, índice quase considerado "pleno emprego" pelos especialistas. Além disso, a r enda média da população cresceu , atingindo a R$ 1.345 no ano passado. Mas, ao contrário do que esses dados fariam supor, a inadimplência tem aumentado: em junho, 7,8% dos brasileiros tinham contas atrasadas em mais de 90 dias. Para Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian, o contexto econômico explica menos um mau pagador que as razões comportamentais.

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"O nível de inadimplência é maior do que poderíamos supor, analisando apenas os indicadores, mas renda e emprego não diferem os adimplentes e inadimplentes, (a inadimplência) é mais uma questão comportamental", diz Loureiro, baseado em estatísticas da Serasa Experian. "Ela se deve mais ao descontrole (de consumo) por parte de uma parcela da população que tem acesso a bens que nunca teve, e que está com alto nível de confiança para o futuro", afirma.

A Serasa Experian, em pesquisa recente, perguntou a entrevistados se já tinham atrasado alguma conta no passado. Entre os inadimplentes, 53% responderam que sim, indicando que a condição é recorrente para a maioria. Entre os adimplentes, apenas 7% responderam afirmativamente, ou seja, os outros 93% que têm contas em dia também nunca atrasaram pagamentos anteriormente. 

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"Ouvimos pessoas (na pesquisa) que diziam: 'compramos tal carro sem fazer muita conta, porque se a gente fizesse conta demais não ia comprar'. Esse é o tipo de comportamento que leva à inadimplência", disse Loureiro, durante o Fórum Novo Brasil - Vozes da Classe Média, que acontece nesta semana em São Paulo.

Os dados mostrados pelo Serasa revelam ainda que 35% dos inadimplentes têm três ou mais pendências para pagar, sendo que 13% têm entre cinco e nove pendências. A maior parcela entre os entrevistados (45%), no entanto, tem apenas uma pendência a resolver.  

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