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Setores de mineração e maquinário pesado estão entre os mais afetados

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Na medida em que a economia chinesa esfria, exportadores americanos sentem cada vez mais o impacto disso.

A Cummins, grande fabricante de motores de Indiana, reduziu sua previsão de receita em outubro e afirmou que iria eliminar entre 1000 a 1500 empregos até o fim do ano, citando a baixa demanda da China como motivo principal. A Schnitzer Steel Industries, de Portland, no Oregon, que é uma das maiores recicladoras de metal do país, está cortando 300 empregos, ou sete por cento de sua força de trabalho, à medida que as exportações de sucatas para a China caem acentuadamente. E em 23 de outubro, a Caterpillar informou queda nas vendas para a China e suspendeu sua perspectiva positiva para 2012.

Depósito da Tennessee Valley Recycling, empresa de reciclagem de metais. Donos lutam para evitar demissões de funcionários
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Depósito da Tennessee Valley Recycling, empresa de reciclagem de metais. Donos lutam para evitar demissões de funcionários


Reduções de vagas de emprego estão atingindo indústrias como a da mineração, a de máquinas pesadas e a de metais de sucata, que prosperavam enquanto a China crescia, ilustrando alguns dos riscos para a economia americana mais ampla se o crescimento continuar a se desacelerar no que é agora a segunda maior economia do mundo. Na metade de outubro, o governo chinês comunicou que seu Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anual de 7,4 por cento no terceiro trimestre, o menor resultado em mais de três anos.

Mesmo com os candidatos a presidência dos EUA tentando superar um ao outro na promessa de pegar pesado contra as exportações chinesas com o intuito de proteger o mercado de trabalho americano, especialistas dizem que a ameaça mais imediata aos trabalhadores americanos pode ser, na verdade, a diminuição das vendas para a China, o que aumentou o preço das exportações americanas nos últimos anos.

Contudo, a previsão é de que o crescimento da China caia neste ano do ritmo veloz de 9,3 por cento do ano passado para 7,7 por cento esse ano, acrescentando temores de um desaquecimento mundial, especialmente com a maioria da Europa em recessão e a recuperação econômica americana teimosamente anêmica.

A demanda enfraquecida já reduziu as exportações dos EUA.

"Há definitivamente um impacto nas exportações americanas com a desaceleração das exportações para a China", afirmou Dean Maki, principal economista americano no Barclays. Segundo sua análise, a queda das exportações para a China em si é responsável por cortar entre 0,1 a 0,2 pontos percentuais da taxa de crescimento da economia americana, que expandia em uma taxa anual de 1,3 por cento no segundo trimestre.

O desaquecimento recente no crescimento de exportação provavelmente contribuiu para a perda de 38.000 empregos no setor de manufatura dos EUA desde julho, enquanto o mercado de trabalho geral melhorou e a taxa de desemprego caiu. A queda foi surpreendente porque as exportações, juntamente com indústria manufatureira, têm sido pontos relativamente brilhantes desde o fim da recessão.

A Caterpillar tornou-se a última empresa a confirmar que, após um longo crescimento, os negócios na China estão em queda.

"Não acho que haja alguma dúvida de que as coisas ficaram superaquecidas na China", disse Ed Rapp, o principal diretor financeiro da Caterpillar. "Nossa visão de longo prazo ainda é positiva mas as coisas desaceleraram consideravelmente na China em 2012."

A perspectiva americana de crescimento e de empregos vai depender de muitos fatores. Uma recuperação da atividade econômica na Europa ou nos Estados Unidos, por exemplo, poderia ajudar a compensar por quaisquer fraquezas na China, a fonte de aproximadamente 10 por cento da produção econômica do mundo em 2012. E os Estados Unidos ainda absorvem bem mais do que exportam para a China, importando quase quatro dólares em mercadorias para cada dólar que exportam.

Não obstante, a taxa de crescimento rápido na China beneficiou muitos grandes exportadores americanos e tornou a China o terceiro maior comprador de produtos americanos, ficando atrás do Canadá e do México. Em 2011, a China importou 103,9 bilhões de dólares em produtos dos Estados Unidos, ou seja, sete por cento do total de exportações americanas.

Além disso, a demanda chinesa obviamente vem esfriando. No primeiro semestre de 2012, as exportações para a China subiram sete por cento de um período comparável de um ano antes, segundo dados do Departamento de Comércio, queda de 20 por cento de um crescimento anual em 2011 e um salto de 36 por cento em 2010.

Cinco setores – o de máquinas, de computadores e eletrônicos, de produtos químicos, de equipamentos de transporte, e de resíduos e sucatas – foram responsáveis por 62 por cento das exportações para a China em agosto, segundo dados do Departamento do Censo Americano. Mas o impacto é sentido além dessas categorias. Isso porque a demanda chinesa subiu os preços no mundo inteiro para as commodities como carvão, papel e muitos tipos de metais.

Por exemplo, a Thompson Creek Metals não vende diretamente para a China, mas a empresa foi forçada a demitir mais de 100 mineiros em sua mina de molibdênio em Idaho em outubro. A demanda enfraquecida da China pelo metal especial ajudou a derrubar os preços em 30 por cento de onde estavam há um ano, cortando as margens de lucro na mina.

A China é o maior consumidor de molibdênio do mundo, que é usado para fortalecer o aço e para prevenir a corrosão, afirmou Kevin Loughrey, o diretor executivo da Thompson Creek.

"A China fomentou bastante crescimento com a procura de recursos naturais nos últimos anos", afirmou. "E é um mercado fungível. É como um balão que você solta em um local e aparece em outro."

Para a Cummins, o impacto é mais direto. A China é o seu quinto maior mercado, responsável por oito por cento das receitas da empresa no ano passado. E as vendas por lá diminuíram significantemente, caindo 29 por cento no primeiro semestre comparado ao mesmo período em 2011, com a demanda de escavadoras e de caminhões em queda. Os cortes reduzirão aproximadamente três por cento da força de trabalho mundial da Cummins, de 45.000 pessoas, mas a empresa ainda não ainda não informou quantos desses cortes serão nos Estados Unidos.

Com uma receita de 3,5 bilhões de dólares no ano passado, a Schnitzer Steel Industries é bem menor que a Cummins, que teve uma receita de 18 bilhões de dólares no mesmo período, mas ela também considera a China um mercado importante. A sucata metálica acumulada nos ferros-velhos da Schnitzer e de outras empresas de reciclagem nos EUA fornece a matéria prima para os bens de consumo de aço inoxidável feitos na China, assim como o ferro e as barras de aço que sustentam a construção por lá.

Agora, com a construção local estagnada, e a procura por produtos de consumo enfraquecendo na Europa, a China precisa de bem menos sucata. As exportações de sucata de aço e ferro – entre os maiores produtos americanos exportados para a China – estão com queda de 53 por cento este ano em comparação ao mesmo período em 2011, segundo o Instituto das Indústrias de Reciclagem de Sucatas, um grupo de negócios.

Os preços caíram aproximadamente 30 por cento como consequência, afirmou Joel Denbo, diretor executivo da Tennessee Valley Recycling, em Decatur, no Alabama. A família de Joel Denbo fundou a empresa há 105 anos, e ele está lutando para evitar demissões entre a sua força de trabalho de 175 funcionários. Ele já desligou 15 empreiteiros e eliminou horas extras, em uma tentativa de manter a empresa lucrativa.

"As pessoas me perguntam: 'Chefe, o que vamos fazer?'", disse. "Não queremos perder um único funcionário, ou funcionária."

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