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Em outubro, o PMI compilado pelo instituto Markit chegou a 50,2, ante 49,8 em setembro; foi a primeira vez que o índice ficou acima da marca de 50, que separa contração de expansão, desde março

Reuters

Após seis meses de contração, a produção industrial brasileira voltou a registrar expansão em outubro, sustentada pelo aumento no volume de novos pedidos, mostrou nesta quinta-feira a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI).

Em outubro, o PMI compilado pelo instituto Markit chegou a 50,2, ante 49,8 em setembro. Essa foi a primeira vez que o índice ficou acima da marca de 50, que separa contração de expansão, desde março.

Neste período, o pior momento foi visto em junho, quando chegou a 48,5. De lá para cá, houve recuperação, mas com o indicador ainda abaixo de 50.

A leitura aponta para uma melhora depois de a produção do setor ter mostrado um desempenho bastante fraco em setembro, com queda de 1 por cento sobre o mês anterior, o pior resultado desde janeiro. Em agosto, o setor havia mostrado expansão de 1,7 por cento.

Embora o cenário tenha melhorado em outubro e depoimentos informais tenham indicado aumento da demanda, o Markit destacou que a taxa de expansão foi apenas modesta no mês passado, abaixo da média de longo prazo.

Quase 17 por cento das empresas pesquisadas indicaram um aumento mais elevado dos pedidos, mas 13 por cento registraram queda.

O que pesou sobre o setor foi a nova queda nos pedidos para exportação, chegando a uma série de 19 meses de contração, com os entrevistados citando os efeitos negativos da crise europeia.

Assim, as empresas tentaram reduzir os custos com pessoal, e a força de trabalho no setor registrou queda pelo sétimo mês seguido, com 5 por cento dos entrevistados indicando redução.

A indústria tem sido uma das principais causas para o ritmo modesto de crescimento da economia brasileira, afetado pela crise internacional, levando o governo a adotar diversas medidas de estímulo, como desonerações fiscais. Mesmo assim, o mercado calcula que a produção industrial vai cair 2,10 por cento neste ano, mas recuperando-se em 2013, com alta de 4,15 por cento.

Em uma tentativa de diminuir os custos de administração dos estoques, 7 por cento dos entrevistados indicaram redução de seus estoques de compras. O volume armazenado de produtos finais também caiu, embora apenas marginalmente.

O Markit também destacou a inflação dos insumos no setor industrial em outubro, em meio a relatos de condições desfavoráveis da taxa de câmbio e de preços mais altos dos produtos petroquímicos.

A confiança da indústria apurada pela Fundação Getulio Vargas havia indicado uma melhora para o setor industrial em outubro, ao avançar 1 por cento no mês em relação a setembro, maior nível desde junho de 2011.

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