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Segundo consultoria, a volta do crescimento do país baliza a expansão dos recursos para financiamento que, em contrapartida, ajudam na estabilização da economia

Com a estabilização da inadimplência, embora ainda esteja em patamares elevados, previsões sobre crédito no Brasil voltam para o campo positivo. O bom período que o país deve atravessar nos próximos anos, segundo economistas, deve balizar a expansão e maior qualidade dos recursos, que em contrapartida, devem estabilizar o crescimento.

Em relatório da consultoria LCA, o qual o BRASIL ECONÔMICO teve acesso com exclusividade, indica que até 2015, os recursos livres para pessoas físicas e jurídicas devem saltar 56%. Se somado o volume para empréstimo imobiliário, o montante disponível para impulsionar o consumo e os investimentos podem dobrar.

Entre os fatores de propulsão do crédito, diz Wermeson França, economista da Consultoria, estão a volta do crescimento econômico e os grandes eventos, com notável impacto sobre os investimentos em infraestrutura. Segundo ele, Produto Interno Bruto (PIB) e financiamento caminham juntos. “A conta é inflação, mais PIB, mais potencial de crescimento do crédito. Isso nos mostra que até 2015, devemos ter uma expansão anual de 16% do crédito no país.”

Embora França divulgue os números com otimismo, a média de crescimento está abaixo da observada entre os anos de 2004 e 2011, quando a expansão anual foi de 21%. “Neste sentido, o financiamento no Brasil vai se aproximando cada vez mais da média mundial, que está em torno de 60%”, diz.

Nas estimativas da LCA, os recursos livres para pessoas físicas, jurídicas e o crédito direcionado — setor imobiliário, principalmente — deverão representar 49% do PIB em 2015. Em 2011 a relação ficou em 36,3%.

Para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, Chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), os bens de consumo não duráveis terão melhor desempenho no curto prazo com a retomada do crédito. Segundo ele, os itens duráveis devem continuar a patinar, ao menos, até fim de 2013.

“Continuamos a ter um ciclo favorável de consumo devido ao emprego. A massa de salários continua a crescer acima do PIB”, explica o economista.

Ele diz que, mesmo em 2012, o comércio varejista deve se comportar bem. Suas previsões sugerem um crescimento do setor em torno de 7,5%. Em 2013, com a aceleração de outros segmentos da economia, como indústria e agropecuária, o varejo deve desacelerar para perto de 7%. Patamares ainda elevados, comemora Gomes. “O setor continua acima do PIB.”

Seu temor, no entanto, se apresenta quando questionado sobre a indústria. Gomes diz que o modelo de incentivos ao consumo está esgotado. Apesar do salto de vendas nos setores beneficiados pela redução do Impostos sobre Produto Industrializado (IPI), esta política não se mostra benéfica no longo prazo. “A indústria tem um problema externo, que precisa ser resolvido. Não sabemos como o país irá aproveitar este novo ciclo econômico favorável, mas sabemos que o consumo não pode continuar sendo a principal diretriz da economia.”

Para Gomes, que é ex-secretário do Banco Central, uma das tarefas do governo será incentivar os investimentos. Hoje, apenas o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem condição de financiar investimentos, tanto da iniciativa privada quanto do setor público. “Com a economia em alta, a demanda por este tipo de crédito aumentará, e serão necessárias mais opções além do BNDES”, argumenta.

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