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Para diretor do BC, greve dos bancários em setembro fez com que clientes tomassem crédito caro, como cheque especial e cartões de crédito, o que explica a alta

As famílias pagaram taxas de juros um pouco mais altas em setembro, em relação a agosto, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta sexta (26). Houve alta de 0,2 ponto percentual, para 35,8% ao ano.

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No caso das empresas, houve redução de 0,5 ponto percentual, para 22,6% ao ano, o menor nível da série histórica do BC, iniciada em 2000. A taxa geral, para empresas e famílias, ficou em 29,9% ao ano, redução de 0,2 ponto percentual em relação a agosto. A taxa também é a menor da série histórica do BC.

O spread, diferença entre a taxa de captação dos recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes, subiu 0,2 ponto percentual para as famílias, e ficou em 27,9 pontos percentuais. No caso das pessoas jurídicas, houve recuo de 0,4 ponto percentual para 15,3 pontos percentuais.

A alta da taxa de juros cobrada de pessoas físicas, em setembro, é explicada pela greve dos bancários, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel.

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Para Maciel, a alta de setembro foi pontual porque, com a greve dos bancários, os clientes tomaram linhas de crédito “mais acessíveis”, como o cheque especial e cartão de crédito, que têm juros mais elevados.

A taxa média de juros do cheque especial chegou a 147,6% ao ano, em setembro, com redução de 0,1 ponto percentual em relação a agosto, mas ainda bastante alta na comparação com a de crédito pessoal (39,7% ao ano). A taxa de crédito pessoal teve alta de 0,3 ponto percentual em relação a agosto.

De acordo com os dados do BC, a média diária de concessões de cheque especial para as famílias, em setembro na comparação com agosto, subiu 9%. No caso do cheque especial, houve aumento de 11,6%. O crédito pessoal apresentou redução de 4,3%.

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A greve dos bancários começou no dia 18 de setembro. Os funcionários do Banco do Brasil e instituições privadas voltaram ao trabalho no dia 27. No caso da Caixa, os bancários retomaram as atividades no dia 28.

Apesar da alta dos juros para as famílias, Maciel destacou que a taxa média (para empresas e pessoas físicas) chegou ao menor nível da série histórica do BC, iniciada em 2000. A taxa geral ficou em em 29,9% ao ano, redução de 0,2 ponto percentual em relação agosto.

Segundo Maciel, a redução da taxa média de juros decorre do efeito dos cortes da taxa básica de juros, a Selic, que serve de referência para as demais. Outro fator citado por Maciel é a redução do spread (diferença entre a taxa de captação de recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes), origem de boa parte do lucro dos bancos.

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O spread para as famílias subiu 0,2 ponto percentual e ficou em 27,9 pontos percentuais. No caso das pessoas jurídicas, houve recuo de 0,4 ponto percentual para 15,3 pontos percentuais.

Os dados preliminares deste mês, até o dia 17 (12 dias úteis), indicam que a taxa de juros paras as famílias subiu 0,2 ponto percentual em relação ao fechamento de setembro. A alta do spread chega a 0,4 ponto percentual. Para as empresas, houve recuo na taxa de juros de 0,1 ponto percentual, com o spread estável. Maciel enfatizou que os dados que indicam alta para as famílias podem não corresponder ao resultado do fechamento do mês, uma vez que oscilam muito ao longo do período.