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Na justificativa dos votos, os membros do colegiado que votaram a favor do corte da Selic para 7,25% ao ano argumentaram que o cenário para a inflação ainda comportava alterações nas condições monetárias

Reuters

A redução de 0,25 ponto percentual na Selic na semana passada, quando foi para a mínima histórica de 7,25% ao ano, foi o "ultimo ajuste" das condições monetárias diante do atual cenário inflacionário.

Em sua ata, publicada nesta quinta-feira, os cinco membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que votaram a favor do corte argumentaram que ainda havia incertezas sobre a velocidade da recuperação econômica, sobretudo por conta da expectativa de que fragilidade da economia global seja mais longa do que o esperado. Com isso, o reflexo para o Brasil é desinflacionário.

Ata do Copom: o discurso e o voto de um diretor do BC

Dividido, Banco Central reduz Selic para 7,25%

"Além disso, foi destacado que as recentes pressões de preços decorrem, principalmente, de choques de oferta, internos e externos, que tendem a reverter no médio prazo. Portanto, no entendimento desses cinco membros do comitê, o cenário prospectivo para a inflação ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias", trouxe a ata.

Na semana passada, o Copom fez o décimo corte seguido na taxa básica de juros e já havia indicado que o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011, e que somou 5,25 pontos percentuais, havia chegado ao fim. O objetivo foi ajudar na recuperação econômica do país, afetada pela crise internacional.

"O Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear", informou o BC na última semana, repetindo a frase na ata.

A decisão não foi unânime, com cinco membros do Copom votando pela redução e os outros três, pela manutenção da taxa em 7,50%.

Pela ata, os dissidentes argumentaram que a recuperação da atividade tende a ser sustentada pelos impulsos monetários, fiscais e de crédito já dados e, "eventualmente, pressões de demanda e de custos poderão incidir sobre a inflação".

O Copom também informou que o cenário para a inflação, embora os recentes choques tenham impactado negativamente no curto prazo, manteve "sinais favoráveis em prazos mais longos".

As autoridades brasileiras têm defendido que a economia brasileira começou a se recuperar neste semestre e que, por isso, pode crescer mais de 4% em 2013. Neste ano, não passará de 2%.

A inflação, por outro lado, também ajuda na avaliação de que o ciclo de afrouxamento monetário do país chegou ao fim, já que vem apresentando constantes sinais de pressão, sobretudo vindos dos alimentos.

O IPCA de setembro, por exemplo, subiu 0,57%, a maior variação para o mês em nove anos. No acumulado em 12 meses, o indicador teve alta de 5,28%, afastando-se ainda mais do centro da meta do governo, de 4,5%.

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