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De acordo com o ex-ministro da Fazenda, os abusos que levaram à crise econômico-financeira de 1929 são os mesmos que provocaram a crise de 2008

Agência Estado

O ex-ministro e economista Antônio Delfim Netto disse nesta quarta-feira que não há economia de mercado sem um Estado forte, constitucionalmente regulado e capaz de regular a atividade econômica. Nesse contexto, ele avalia que as atividade financeira de um país tem de ser controlada pelo Estado.

Delfim Netto também comentou que os abusos que levaram à crise econômico-financeira de 1929 são os mesmos que provocaram a crise de 2008.

"A crise é a perda de confiança de todos os agentes econômicos. Da população/consumidor, que não gera demanda, passando pelo empresário, que não sabe se vai ter procura suficiente pelos seus produtos, e os bancos, que não liberam crédito", diz.

Com relação às perspectivas para a economia dos Estados Unidos, o economista disse que o programa do candidato republicano às eleições presidenciais, Mitt Romney, é um grande risco para o mundo e para o governo norte-americano, porque o sistema financeiro poderia impor regras para a política dos EUA. "O do (presidente Barack) Obama também não é muito melhor, mas não oferece risco", acrescenta.

Já sobre a União Europeia (UE), Delfim Netto espera a continuidade do euro. "O euro vai sobreviver", avalia. "Quando se compara os custos de manutenção e de destruição da moeda, esse último se equivale a uma guerra com duração de 20 anos", explica. O economista ainda comentou que a construção do euro foi política, mas haviam dificuldades.

Para ele, era preciso, primeiramente, que os países europeus caminhassem para uma união fiscal e, depois, monetária. "Isso não foi feito na época", diz. "Para harmonização das coisas na região, essa ordem das coisas tem de ser feita", conclui. Segundo Delfim Netto, o Brasil é um exemplo típico do que deveria ser feito para a Europa sair da crise.

O economista participou do seminário Perspectivas das relações econômicas entre o Brasil e os Países Árabes, promovido pelo Câmara de Comércio Árabe-brasileira e pelo Valor Econômico.