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Cerca de 12% dos imóveis vendidos para estrangeiros na cidade foram comprados por brasileiros, que encontram opções com preços entre US$ 400 mil e US$ 700 mil

Reuters

Preços de Miami estão menores que no Rio de Janeiro e em São Paulo, diz RealtOn
Getty Images
Preços de Miami estão menores que no Rio de Janeiro e em São Paulo, diz RealtOn

No embalo da crescente e aquecida demanda por imóveis no Brasil, a RealtOn, que afirma ser a primeira ponta de estoque de imóveis do mundo, decidiu fazer uma aposta que, há alguns anos, seria considerada no mínimo ousada: vender imóveis localizados em Miami a brasileiros.

A companhia, criada em março deste ano, começou a ofertar nesta segunda-feira em seu website três imóveis residenciais em Miami em parceria com a incorporadora Related, como forma de testar o apetite dos compradores brasileiros antes de aumentar a oferta.

"Notamos que existia demanda dos clientes por imóveis em Miami", disse à Reuters o presidente-executivo da RealtOn, Rogério Santos. "Se compararmos o valor do imóveis em São Paulo e Rio de Janeiro, Miami vale a pena principalmente pela questão do preço."

Segundo ele, enquanto um imóvel em áreas nobres na cidade de São Paulo chegam a custar entre R$ 800 mil e R$ 900 mil, os imóveis que começam a ser ofertados nesta segunda-feira variam de US$ 400 mil a US$ 700 mil.

"A compra de um imóvel em Miami tem se tornado muito interessante, com muitos brasileiros viajando para fazer compras", afirmou Santos, acrescentando que a procura por tais imóveis envolve também a locação como forma de investimento.

De acordo com levantamento da associação de corretores de imóveis de Miami, 12% dos imóveis vendidos para estrangeiros na cidade foram comprados por brasileiros, perdendo apenas para os venezuelanos, os maiores compradores.

Além da questão financeira, a RealtOn defende o tempo como outro fator atrativo. Segundo o executivo, as horas gastas no trânsito das estradas brasileiras em feriados prolongados, por exemplo, tem feito com que aumente a procura por imóveis nos Estados Unidos.

"Nos últimos feriados os paulistanos levaram seis horas para se locomover até o litoral de São Paulo, e isso somado a custos. Um voo para Miami tem duração de oito horas", assinalou o executivo. Os imóveis ofertados estão localizados próximos à praia e contam com cozinha mobiliada.

A RealtOn espera colher resultados apenas no longo prazo. "Este é um balão de ensaio para ver a aceitação do brasileiro por esse tipo de imóvel", disse Santos.

Ainda assim, a companhia já tem outras parcerias previstas com duas incorporadoras para oferecer imóveis de Nova York, além de um maior volume em Miami.

Foco em estoques

Criada com o objetivo de ajudar grandes incorporadoras a desovar estoques de imóveis, a RealtOn reúne cerca de 2 mil imóveis residenciais e comerciais novos, com 122 mil clientes cadastrados para receber ofertas.

Comissionada como uma imobiliária tradicional, a empresa comercializa perto de 30 milhões de reais por mês.

Os imóveis, segundo Santos, chegam a ter descontos de até 40%.

"Os incorporadores precisavam desovar os estoques e o comprador, adquirir por um preço mais competitivo", disse ele, citando um levantamento feito pela própria RealtOn que apontou R$ 35 bilhões em estoque de imóveis no país no ano passado. "Hoje 95% das incorporadoras listadas (em bolsa) estão no site."

Com atuação apenas em São Paulo, a companhia planeja expandir a oferta para Rio de Janeiro --no próximo ano--, Curitiba, Brasília, Belém e Manaus. A empresa também já registrou a marca para atuar na Rússia e em outras localidades dos EUA.

Por Vivian Pereira


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