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Valorização das cotações da maioria dos produtos agropecuários no mercado internacional, reflexo da quebra de safra em países produtores, impulsiona valor da produção no Brasil

Agência Estado

O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor agropecuário deve crescer 7,9% neste ano e atingir R$ 351,8 bilhões. A projeção é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo a entidade, a valorização das cotações da maioria dos produtos agropecuários no mercado internacional, reflexo da quebra de safra em importantes países produtores, deve impulsionar valor da produção, que no ano passado foi calculado em R$ 326,3 bilhões.

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A CNA observa que o aumento da demanda externa por produtos agropecuários, impulsionado pela antecipação dos embarques, também contribuiu para a expectativa de crescimento do VBP em 2012. O faturamento bruto das lavouras deve crescer 8,9% e alcançar R$ 216,9 bilhões. Já o VPB das carnes deve atingir neste ano R$ 134,9 bilhões, valor 6,2% superior ao ano passado (R$ 127 bilhões).

No caso da soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, a projeção é de aumento de 19,4% no valor da produção, para R$ 67 bilhões, apesar da quebra de 11,8% na safra brasileira, provocada pela estiagem no início deste ano. A CNA atribui a expansão do VBP da soja ao aumento das cotações da oleaginosa, principalmente após a confirmação de quebra da safra norte-americana, aliado ao aumento da demanda.

Segundo o estudo da CNA, a redução de 8% na produção de cana-de-açúcar, em função do ritmo lento da colheita nos primeiros meses e do atraso na moagem nas indústrias, fez com que os preços do produto aumentassem 31,5%, o que favoreceu o incremento da receita. A CNA projeta que o VBP da cana deve chegar a R$ 39 bilhões, o que representa um aumento de 20,9% frente aos R$ 32,3 bilhões recebidos em 2011.

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A colheita da safra recorde de milho e alta de 9,1% nos preços recebidos pelos produtores levaram a CNA a projetar aumento de 38,2% na receita dos produtores, que deve atingir R$ 33,4 bilhões, ante os R$ 24,2 bilhões registrados no ano passado. "A queda da produção norte-americana do cereal e a notícia de que os Estados Unidos irão reduzir as exportações impulsionaram a demanda pelo produto brasileiro, favorecendo a alta dos preços no mercado interno", observam os técnicos da CNA.

As projeções para o café são de queda de 15,3% no faturamento, apesar da colheita da safra recorde de 50,48 milhões de sacas de 60 quilos, volume 16,1% acima do colhido na safra passada. A estimativa é de que o VPB do café recue para R$ 19,1 bilhões, ante os R$ 22,5 bilhões do ano passado. "O avanço da colheita e a melhora nas condições climáticas trouxeram para o mercado a expectativa de aumento de oferta, provocando uma redução de 27% nos preços do grão."

Carnes

No caso das proteínas animais, a estimativa é de queda de 5,4% no faturamento da carne bovina, que deve atingir R$ 54,7 bilhões, ante os R$ 57,8 bilhões do ano passado. Já para a carne de frango a projeção é de aumento de 33,5% no valor da produção, que deve atingir R$ 37,5 bilhões. Os técnicos da CNA atribuem o bom desempenho da avicultura ao aumento de 30,8% nos preços recebidos.

"O aumento do custo de produção, puxado pela alta do milho e da soja, tem feito com que os produtores reduzam a produção de aves e consequentemente há uma queda de oferta de produto no mercado". Na suinocultura, as estimativas são de queda de 11% no faturamento do setor, "o que se deve à redução da demanda, que não assimilou o aumento do preço da carne".

Os técnicos da CNA lembram que as exportações em agosto apresentaram aumento de 25% em relação ao volume embarcado em julho, o que contribuiu para diminuir a oferta no mercado interno. Segundo a CNA, enquanto a produção de carne suína cresce 2% neste ano, a receita dos produtores deve cair 9,2% e alcançar R$ 9,47 bilhões.