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Nível de ocupação dos trabalhadores brasileiros caiu de 68,6% em 2009 para 66,2% no ano passado, mostra a Pnad 2011

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que o IBGE divulga nesta sexta-feira, 21, mostra que o nível de ocupação dos trabalhadores brasileiros caiu de 68,6% em 2009 para 66,2% em 2011, apesar do fato de o número de trabalhadores ter aumentado em 1 milhão no período. Isso ocorreu porque o crescimento do número de pessoas ocupadas foi inferior ao aumento da população em idade ativa.

Em todas as regiões do Brasil foi registrada redução semelhante. O destaque negativo foi o Nordeste, onde o recuo foi de três pontos percentuais, de 66,2% para 62,9%, entre 2009 e 2011.

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Entre os 92,5 milhões de ocupados, 41,5 milhões (44,9%) estavam trabalhando em atividades voltadas para serviço, um aumento de 5% em relação a 2009. Já o comércio responde por 17,8% da força de trabalho nacional, enquanto construção fica com 8,4% e indústria, com 13,5%. Já a agricultura corresponde a 15,3% da força de trabalho nacional. Na comparação entre 2009 e 2011, a maior queda foi na indústria (8%), seguida pela agricultura, com redução de 7,3%.

No que diz respeito à escolaridade pela população ocupada, a ocupação cresceu para as pessoas com os níveis educacionais completos (fundamental, médio e superior). Para o IBGE, isso se deve ao fato de propostas de emprego exigirem instrução mínima para as vagas.

A Pnad 2011 mostra ainda que 61,3% dos trabalhadores brasileiros (56,7 milhões) são empregados – 80,2% no setor privado, e 19,8% no público; 21% trabalham por conta própria; 2,9% são trabalhadores domésticos; e 3,4% são empregadores.

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Outro dado relevante identificado pela pesquisa é o crescimento do número de carteiras assinadas, de 70,2% em 2009 para 74,6% em 2011 no setor privado. No total, são 33,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, um acréscimo de 3,6 milhões, ou 11,8% em relação a 2009. O aumento ocorreu em todas as grandes regiões, e vem acontecendo continuamente desde 2005, segundo o IBGE, após queda nos índices de 2003 e 2004.

No Nordeste, não houve geração de novos postos de trabalho, mas aumentou a formalização, com acréscimo de 13,3%. O maior crescimento foi no Centro-Oeste, de 19,2%. O maior nível de formalização, como é de se esperar, ocorre nas regiões Sul e Sudeste, com percentual semelhante, de 81,8% e 80,5%, respectivamente. O Nordeste tem apenas 59,3%, o menor percentual do setor privado. Dos 19,6 milhões de trabalhadores “por conta própria”, apenas 15,6% deles têm CNPJ.

Ainda segundo a pesquisa, o desemprego caiu de 8,2% em 2009, para 6,7% em 2011. O IBGE ressaltou, entretanto, que a Pnad 2009 mostrou, de maneira acentuada a crise de 2008. Ou seja, o grande aumento reflete um retorno aos números pré-crise e o crescimento se dá a partir de um patamar baixo gerado pela crise.

Outro dado relevante é o perfil dos desocupados, que mostra a maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho para determinados grupos. Quase 60% das pessoas desocupadas são mulheres; 57,6% eram pretos ou pardos; mais da metade não concluiu o Ensino Médio; 35% nunca tinham trabalhado antes e um terço tinha entre 18 e 24 anos.