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Encontro entre a presidente e seu colega americano acontece no próximo dia 25, em momento delicado

A presidente Dilma Rousseff se encontra na próxima terça-feira com seu colega americano Barack Obama. A conversa acontece em uma conjuntura delicada. Concorrendo em uma eleição bem mais difícil do que a que o levou à Casa Branca, em 2008, com a economia demorando a responder e, por isso mesmo, tendo anunciado uma nova rodada de estímulo monetário, Obama se aproxima da terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a imprensa de seu país.

Segundo o Palácio do Planalto, a reunião foi pedida pelo presidente dos Estados Unidos e deve ocorrer no hotel em que Dilma ficará hospedada, o St.Regis, em Nova York. Deve ser uma agenda rápida, até 30 minutos, e, como é bem característico da brasileira, bem objetiva.

Crítica contumaz dos efeitos sobre os emergentes que a política de expansão monetária (o tsunami monetários, diz ela) que países desenvolvidos adotam para tentar reanimar a atividade econômica, Dilma vai tocar no tema. Seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, já vem dando recados durante sua viagem a Paris, França.

No Brasil, integrantes da equipe econômica dizem estar sempre atentos às variações cambiais. No entanto, não visualizam possibilidades de haver uma nova onda de especulações como ocorreu nos dois primeiros “quantative easing” americanos, nem nas rodadas de injeção de recursos promovidas pelos bancos centrais do Reino Unido, Banco Central Europeu e Banco do Japão. “Todas as medidas que o governo brasileiro tomou até o momento mostram que há, de fato, bala na agulha para segurar movimentos excessivos de valorização do real frente ao dólar”, disse uma fonte.

Na área comercial há algumas preocupações do governo brasileiro, mas que não devem fazer parte da curta conversa: os contenciosos do algodão e do suco de laranja. De acordo com o diretor do Departamento Econômico do Ministério de Relações Exteriores, ministro Paulo Estivallet de Mesquita, há uma expectativa de que o Congresso americano aprove, ainda este ano, a lei agrícola com a diminuição dos subsídios aos produtores agrícolas.

Mas, disse o diplomata, se a redução for o que chamou de cosmética, isso obrigará o Brasil a estender a disputa. “Mas como os Estados Unidos estão com problemas fiscais, esperamos que eles economizem nos subsídios”. Enquanto a legislação não sai, por determinação da Organização Mundial do Comércio (OMC), os Estados Unidos vão pagando uma multa mensal ao Brasil que já acumula algo em torno de US$ 300 milhões desde meados de 2010.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e atual presidente do Brazil Industries Coalition (BIC), lembra que, historicamente, o número de ações reclamadas pelo Brasil na OMC contra os americanos é baixo, apenas duas. “O diálogo comercial entre os dois países melhorou muito desde o governo (George) Bush. Mas agora é necessário aproveitar isso para avançar em alguns acordos com os Estados Unidos”, disse.

Segundo ele, o acordo de bitributação seria muito interessante também para o Brasil, uma vez que tem crescido muito o volume de investimentos brasileiros por lá.

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