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Ricos deixam de especular para investir em empresas particulares, em commodities e propriedades enquanto a economia da Europa e dos EUA enfrenta dificuldades

Muitos milionários ficaram mais pobres no ano passado, mas os bilionários se saíram bem, usando suas equipes de administração de fundos para escapar da instabilidade econômica que atingiu os menos ricos, informou a empresa de pesquisas Wealth-X nesta segunda-feira.

O número de pessoas com ao menos US$ 30 milhões (R$ 60 milhões) subiu para 187.380, mas o total da fortuna deles caiu 1,8%, chegando a US$ 25,8 trilhões (R$ 51,6 trilhões) - ainda uma soma maior do que as economias norte-americana e chinesa -, divulgou a Wealth-X em um relatório.

Os mais atingidos globalmente foram os que possuem entre US$ 200 milhões (R$ 400 milhões) e US$ 499 milhões (R$ 1 bilhão), cujos números caíram 9,9% e cujas fortunas encolheram 11,4%, informou o relatório chamado World Ultra Wealth Report, usando dados para o ano até 31 de julho.

Os muito, muito ricos, entretanto, ficaram ainda mais ricos. O número de bilionários subiu 9,4%, chegando a 2.160 pessoas; a riqueza deles cresceu 14%, para 6,2 trilhões de dólares.

"Mesmo com um ou dois bilhões, eles têm um ambiente muito maior, eles têm muito mais assessoria sobre a forma de investimento. Certamente, eles ganham a atenção de todos os bancos importantes", disse à Reuters Mykolas Rambus, CEO da Wealth-X.

"Essa foi a questão sobre esse terço médio, a área arriscada entre US$ 100 e US$ 500 milhões. Não acho que pareça que esses caras empregam talento o suficiente para ajudar em seus portfolios e suas holdings a serem bem-sucedidas."

Enquanto a Europa enfrenta dificuldades e a economia norte-americana se recupera de forma irregular, os ricos estão deixando de especular para investir em empresas particulares, em commodities e propriedades, disse a Wealth-X, uma empresa sediada em Cingapura que fornece dados de inteligência sobre os ultra-ricos para bancos, arrecadadores de fundos e o mercado de luxo.

A Ásia sofreu a pior perda regional de riqueza, com um declínio de 6,8%, totalizando 6,25 trilhões, em razão dos mercados de capitais mais debilitados e uma demanda menor por exportações do Ocidente, segundo a pesquisa.

Embora a riqueza também tenha encolhido na Europa, na América Latina e no Oriente Médio, os ricos viram suas fortunas crescerem na América do Norte (em 2,8%, chegando a US$ 8,88 trilhões, ou R$ 17,9 trilhões) e na Oceania (alta de 4,4%, chegando a US$ 475 bilhões, ou R$ 959,5 bilhões) - boa parte disso na Austrália.

O relatório completo está disponível em inglês no endereço www.wealthx.com/wealthreport .