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Banco Central dos Estados Unidos dá sinais de que a ainda fraca economia do país pode garantir taxas de juros baixas por pelo menos mais três anos

Reuters

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, aparenta estar pronto para lançar uma terceira rodada de estímulo monetário não convencional nesta quinta-feira, enquanto sinaliza que a fraca economia norte-americana pode garantir taxas de juros ultra baixas por, pelo menos, mais três anos.

Nem todos acreditam que o Fed fará outra rodada de compra de títulos, e muitas dúvidas continuam sobre a eficácia provável de tal ação.

Mas o chairman do Fed, Ben Bernanke, deixou claro que o banco central não irá esperar de braços cruzados enquanto o desemprego, atualmente em 8,1%, continua tão longe dos níveis consistente com uma recuperação econômica saudável.

Muitos economistas estão confiantes de que a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed apresentará uma terceira rodada de "quantitative easing", ou QE3. Na mediana, eles veem 60 por cento de chance, de acordo com pesquisa da Reuters.

O Fomc anunciará sua decisão por volta de 13h30 (horário de Brasília), no encerramento de sua reunião de dois dias.

"O mercado está firmemente no campo de que o Fomc irá fazer, é só uma questão de quanto", afirmou o diretor-geral do Faros Trading em Stamford, Connecticut, Brad Bechtel.

De fato, os detalhes de qualquer decisão de compra de títulos - incluindo o tamanho e a composição de qualquer plano de compra de ativos - são o assunto de aquecido debate.

Muitos economistas veem o Fed inclinando-se em direção a um programa de compra de títulos ilimitado, a depender do curso da economia, em vez de montantes fixos com datas de encerramento pré-estabelecidas como feito no passado.

Isso pode ajudar a conduzir a economia através dos riscos iminentes de uma crise da dívida mais profunda na Europa e dos iminentes cortes de gastos do governo e fim de redução tributária, conhecido como "abismo fiscal" dos Estados Unidos.

O crescimento econômico dos Estados Unidos esfriou no segundo trimestre, registrando uma fraca taxa anual de 1,7%, e analistas não acreditam que essa taxa mostre um desempenho muito melhor agora.

Os dados de empregos mostraram que apenas 96 mil postos de trabalho foram criados no mês passado, menos que o necessário para equiparar-se com o crescimento da população, aumentando as previsões de uma ação agressiva do Fed.

As crescentes expectativas de mais compras de títulos ajudaram a apoiar as ações norte-americanas e globais nas últimas semanas. Os mercados podem começar a vender fortemente se o Fed não agir como esperado, enquanto o dólar provavelmente subirá.

O chairman Ben Bernanke discutirá a decisão do Fed durante coletiva de imprensa às 15h15 (de Brasília).