Tamanho do texto

O presidente da França, Francois Hollande, apresentou, neste domingo, o esboço do mais duro esforço orçamentário das últimas seis décadas no país

O presidente da França, Francois Hollande, apresentou, neste domingo, o esboço do mais duro esforço orçamentário das últimas seis décadas no país, com medidas de austeridade fiscal que incluem um controverso imposto para os ricos.

Em uma entrevista a uma TV francesa, Hollande disse que deu a si mesmo dois anos para mudar o rumo da economia da França e reconheceu a seriedade de tal tarefa. Ele disse que a perspectiva de crescimento do país teve clara deterioração e reduziu significativamente a previsão de crescimento para "pouco acima de zero" para este ano e "cerca de 0,8%" para 2013.

O presidente Françoise Hollande e a âncora Clair Chazal, durante a entrevista na qual detalhou o plano de ajustes: fazer em seis meses o que opositores levaram décadas
AFP
O presidente Françoise Hollande e a âncora Clair Chazal, durante a entrevista na qual detalhou o plano de ajustes: fazer em seis meses o que opositores levaram décadas

O primeiro presidente socialista na França em 17 anos usou a televisão para tentar conter as críticas de que está se movendo muito lentamente para reparar os problemas do país e não está conseguindo ser decisivo. "Eu não vou fazer em quatro meses o que meus predecessores não fizeram em 5 ou 10 anos", disse Hollande. "Estou em situação de combate". E acrescentou que estava "acelerando as coisas".

Hollande afirmou que seu governo iria propor um Orçamento neste mês com cerca de 20 bilhões de euros em novos impostos e 10 bilhões de euros em cortes de gastos. O presidente francês confirmou que o Orçamento irá incluir uma tabela de imposto de 75% para pessoas com receita superior a 1 milhão de euros por ano, o que já criou temores de um eventual êxodo dos cidadãos mais ricos da França.

Leia também:  Dono da Louis Vuitton, homem mais rico da França pede cidadania belga

As medidas dolorosas são necessárias para cumprir as obrigações de redução do déficit orçamentário do país para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, ante 4,5% em 2012, e para dar garantias aos investidores, que têm sido mais lenientes com a França do que com outros países altamente endividados na zona do euro, como a Itália e a Espanha.

Os cortes de 10 bilhões de euros serão feitos em despesas em educação, segurança e justiça, como parte de um pacote global de contingência no valor de 30 bilhões de euros. Hollande acrescentou que outros 10 bilhões de euros devem ser obtidos com o pagamento de impostos pelos franceses, enquanto os 10 bilhões restantes virão de tributações suplementares das empresas do país.

O presidente francês acrescentou, referindo-se a uma das principais medidas da campanha eleitoral que o levou à chefia do Estado, a cobrança de altos impostos das maiores rendas, as superiores a 1 milhão de euros, que será aplicada. "A medida de 75% (de tributação máxima sobre as rendas acima de 1 milhão) não está suspensa, os que quiseram segui-la farão isso por conta própria", disse o presidente depois que circularam na imprensa nos últimos dias informações em que se mencionava uma marcha à ré do governo socialista nesta medida.

O chefe de Estado afirmou ainda que não haverá exceções à aplicação dessa medida e que afetará em torno de 2 mil, 3 mil pessoas. Hollande considerou uma "provocação" o anúncio do presidente do grupo de marcas de luxo Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), dono da maior fortuna da França, Bernard Arnault, de que solicitará nacionalidade belga, embora vá manter a francesa e o endereço fiscal em território francês. "Era de se esperar", disse Hollande sobre o anúncio-surpresa, confirmado pelo rico empresário, embora tenha dito que seguirá cumprindo com suas obrigações fiscais na França.

Com agências