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Pressão por recuperação dos empréstimos é mais um sinal da tensão sobre o sistema financeiro da China em um momento no qual os líderes do país estão contemplando outra rodada de estímulos para impulsionar a economia

Reuters

Os bancos da China estão indo atrás de operadores de aço do país, levando executivos a tribunais para recuperarem empréstimos que alguns deles disseram que não precisavam inicialmente e que agora não podem quitar.

A pressão para recuperação dos empréstimos é mais um sinal da tensão sobre o sistema financeiro da China em um momento no qual os líderes do país estão contemplando outra rodada de estímulos para impulsionar a economia e em que bancos estão preocupados sobre o aumento das perdas com crédito.

A batalha entre os bancos e os operadores de aço também expõe falhas na rodada de estímulo de 2008, que envolveu 4 trilhões de iuans (US$629 bilhões), e oferece um alerta aos que defendem a injeção de mais dinheiro no sistema.

Naquela época, bancos chineses despejaram recursos no comércio de aço, uma engrenagem importante na sustentação do grande crescimento da construção e infraestrutura do país.

Mas os empréstimos aos operadores de aço se tornaram excessivos, mal administrados ou uma combinação dos dois fatores. Autoridades do governo insistiram que mais dinheiro era necessário para impulsionar a indústria.

Executivos do setor siderúrgico afirmaram que o fluxo de recursos estava muito forte e que eles tinham que colocar o dinheiro para trabalhar nos mercados imobiliário e acionário.

"Depois da crise financeira, quando o governo liberou o pacote de estímulo, os bancos nos imploraram para que fizéssemos empréstimos que não precisávamos", disse Li Huanhan, dono da Shanghai Shunze Steel Trading, a um juiz em audiência recente. "Não tínhamos o que fazer com o dinheiro, então nos voltamos a outros investimentos, como imóveis."

Até o final do ano passado, a indústria siderúrgica da China tinha uma dívida total de US$400 bilhões, cerca do tamanho da economia da África do Sul.

Algumas das principais usinas do país sozinhas deviam entre 200 bilhões e 300 bilhões de iuans (US$32 bilhões a US$47 bilhões), segundo a Associação de Ferro e Aço da China.

A postura agressiva dos bancos chineses, muitos dos quais estatais, para reaverem os empréstimos surge em um momento de pressão em um sistema financeiro estirado.

OS resultados dos maiores bancos da China mostraram crescimento de lucro no nível mais fraco desde a crise financeira global, enquanto as perdas com empréstimos subiram pelo terceiro trimestre consecutivo, para 456,5 bilhões de iuans (US$71,8 bilhões) até junho, informou a Comissão Regulatória dos Bancos da China neste mês.