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Indústria de transformação deve crescer menos do que a média, acompanhando o que já ocorre nas economias mais avançadas, com taxa de 3,1% ao ano

Agência Estado

A indústria nacional inaugura um novo patamar de crescimento na próxima década. O desempenho será melhor do que a média vista nos dez anos pré-crise de 2008, mas inferior ao do ano que antecedeu a quebra do banco norte-americano Lehmann Brothers. Estudo produzido com exclusividade pela consultoria LCA a pedido da ‘Agência Estado’ projeta uma expansão média de 4% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB) do setor no Brasil, no período de 2013 a 2022.

Com indústria enfraquecida, agropecuária mais uma vez puxa desempenho do PIB

A indústria de transformação deve crescer menos do que a média, acompanhando o que já ocorre nas economias mais avançadas, com taxa de 3,1% ao ano. Caberá ao mercado interno, principalmente à produção de petróleo e gás no pré-sal, o impulso à indústria brasileira na década, passada a pior fase da turbulência que redesenhou o cenário competitivo em todo o mundo.

O crescimento médio de 4% ao ano da indústria brasileira na próxima década supera o da década que antecedeu a crise internacional, de 1998 a 2007, quando o setor expandiu a taxas médias anuais de 2,1%. A diferença da alta entre os dois períodos é de 1,9 ponto porcentual. Para a indústria de transformação, o intervalo é menor, de 1,1 ponto. Comparado a 2010, contudo, o desempenho da indústria não é tão positivo. Naquele ano, o crescimento de 10,4% refletiu em parte a recuperação da queda de 5,6% do ano anterior. O crescimento de 2013 a 2022 deverá aproximar-se dos 4,1% de 2008 e ser inferior aos 5,3% de 2007, antes do mercado mundial ser surpreendido pela falência do Lehman Brothers. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atividades de uso intensivo de mão de obra, como a de calçados e a de vestuários, tendem a ter mais dificuldades de reestruturação após a crise, analisa o professor da Unicamp e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Gomes de Almeida. “Nenhum setor irá desaparecer. Mas alguns podem perder densidade e outros se transformar em meros montadores de peças. É possível que a indústria brasileira perca em qualidade, em valor agregado”, disse Gomes.

Para o período de 2013 a 2022, a projeção é que o setor de infraestrutura irá liderar o crescimento industrial, revertendo o período em que prevaleceu o consumo das famílias. A expectativa da LCA é que, na média anual, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) avance 6,1%, enquanto o consumo das famílias deve crescer 4,6%.

Com mais obras estruturais, melhores condições de investimento, decorrentes das medidas do governo, e com os eventos esportivos e o pré-sal, serão mais favorecidas as indústrias extrativa mineral e de construção civil. A expansão estimada é de 6,6% e 3,9%, respectivamente. AS informações são do jornal O Estado de S.Paulo.