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Segundo o IBGE, o principal vilão neste mês foi o grupo Transportes, que havia registrado queda de 0,59% em julho e, em agosto, apresentou estabilidade de preços

Reuters

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou o passo em agosto, ao subir 0,39% ante alta de 0,33% em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

O número veio acima do esperado pelo mercado. Pesquisa realizada pela Reuters apontou que o indicador, uma prévia da inflação oficial do país, avançaria 0,36% em agosto, de acordo com a mediana das previsões de 21 analistas. As estimativas variaram de 0,31% a 0,43%.

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No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 5,37%, também acima dos 12 meses imediatamente anteriores, quando ficou em 5,24%. Pesquisa da Reuters indicou alta de 5,34% no período, com as projeções variando entre 5,30% e 5,40%.

Segundo o IBGE, o principal vilão neste mês foi o grupo Transportes, que havia registrado queda de 0,59% em julho e, em agosto, apresentou estabilidade de preços. O movimento no período veio de automóvel novo (-2,47% para 0,04%); ônibus interestadual (1,49% para 3,40%); seguro de veículos (-0,33% para 0,96%); e automóvel usado (-2,45% para -0,15%).

Analistas já esperavam que esse grupo parasse de ajudar no indicador de inflação pelo fim do efeito das recentes reduções feitas pelo governo nas alíquotas do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para o setor automotivo.

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O IBGE destacou ainda que o grupo Saúde e Cuidados Pessoais também pesou em agosto, passando de uma alta de 0,37% em julho para 0,52% agora.

O resultado do IPCA-15 corrobora a aceleração nos preços, como já vinham sinalizando vários indicadores de inflação. Nesta semana, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou alta de 1,38% na segunda prévia de agosto, ante elevação de 1,11% no mesmo período de julho.

Não por menos, analistas elevaram, mais uma vez, as projeções para o IPCA neste ano, a 5,15%, de acordo coma pesquisa Focus do Banco Central. Com isso, o mercado vê a inflação se afastando ainda mais do centro da meta oficial, de 4,5%.

Em julho, o IPCA havia acelerado para 0,43%, a maior variação mensal desde abril, acima das expectativas e ante 0,08% no mês anterior. O vilão dos preços foram os alimentos "in natura", por conta de problemas climáticos.