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As exportações brasileiras da indústria elétrica e eletrônica tiveram uma queda de 0,1% em relação ao ano passado, as vendas para a Argentina recuaram 27,3%

Agência Estado

A restrição da Argentina à importação de produtos da indústria elétrica e eletrônica brasileira puxou a retração das exportações do País no primeiro semestre, mesmo diante da valorização do dólar sobre o real, que eleva a competitividade dos itens nacionais no mercado externo. "As empresas estão compensando essa queda nas vendas para a Argentina com a abertura de novos mercados e com as exportações para os Estados Unidos e China", afirmou à Agência Estado o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato.

Segundo dados da balança comercial do setor eletroeletrônico obtidos pela Agência Estado, as exportações brasileiras somaram US$ 3,739 bilhões no primeiro semestre, representando uma queda de 0,1% sobre o mesmo período do ano passado. Em um ano, a valorização do dólar sobre real alcança cerca de 30%. Na comparação semestral, as vendas para a Argentina recuaram 27,3%, para US$ 707,6 milhões.

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A Abinee fez também a análise das exportações descontando os números argentinos. Neste cenário, as exportações brasileiras teriam crescido no semestre 9,5%, para US$ 3,032 bilhões. Mesmo com a queda das vendas à Argentina, os países da Associação Latino Americana de Integração (Aladi) representam praticamente metade do destino das exportações brasileiras. De janeiro a junho, estes países compraram US$ 1,777 bilhão, o que significou uma queda de 14,9%.

Sem a Argentina, as compras dos países da Aladi da indústria brasileira somam US$ 1,070 bilhão (-4,2%). Em relação ao primeiro semestre do ano passado, a participação da Argentina na pauta brasileira de exportação do setor recuou de 26% para 18,9% de janeiro a junho deste ano.

EUA e China

Por outro lado, o destaque do semestre da pauta exportadora ficou com o mercado norte-americano, cujas vendas avançaram 43,9%, atingindo US$ 771,6 milhões. As vendas aos EUA de componentes cresceram 72%, para US$ 415,9 milhões; de equipamentos industriais, 26,1%, para US$ 178,3 milhões; de geração, transmissão e distribuição (GTD), 31,4%, para US$ 40,7 milhões; e automação industrial, 24,8%, para US$ 65,9 milhões. As exportações de telecomunicações subiram 7,3%, para US$ 36 milhões, mas de informática caíram 5,7%, para US$ 23 milhões.

A fatia dos americanos nas vendas do Brasil em um ano passou de 14,3% para 20,6%. Aos chineses, o Brasil registrou o maior avanço porcentual das vendas este ano. De janeiro a junho, as exportações cresceram 88,5%, somando US$ 119,3 milhões. Os maiores aumentos foram nas vendas de produtos de informática, com alta de 912,4% (US$ 8,8 milhões); automação industrial, aumento de 533% (US$ 17,4%); equipamentos industriais, incremento de 361% (US$ 30,9 milhões); e telecomunicações, elevação de 312% (US$ 4,5 milhões).

Assim, a representatividade da China subiu de 1,7% para 3,2% em um ano. O mercado europeu também ampliou suas compras de produtos brasileiros da indústria elétrica e eletrônica, com alta de 5,7%, somando US$ 533 milhões. Aos europeus, as vendas de bens de informática e equipamentos industriais cresceram pouco mais de 50%, enquanto de materiais elétricos de instalação e de utilidades domésticas caíram pouco acima de 50%. A participação da Europa encerrou o trimestre em 14,3%, ante 13,5% do mesmo período do ano passado.

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