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Segundo o  coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, setor agropecuário pode voltar a exercer pressões de alta devido a incertezas com a soja nos EUA

Agência Estado

A desaceleração do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) entre maio e junho, de 1,02% para 0,66%, não foi uma surpresa para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, já que outros índices gerais de preços (IGPs) e até mesmo as prévias do mês do indicador apontavam arrefecimento.

Na primeira leitura de junho, o índice atingiu 0,68% e, na segunda, cedeu a 0,63%. "No final, a taxa do IGP-M ficou no meio do caminho." De acordo com Quadros, o efeito da desvalorização cambial, que teve impacto nos índices gerais de preços recentemente, foi absorvido nesta última leitura do indicador. "Pode ser que ocorram alguns repasses tardios em alguns produtos de forma isolada, mas a tônica no impacto será cada vez menor." Dentro do IGP-M, a principal contribuição veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que desacelerou de 1,17%, em maio, para 0,74%, em junho.

O arrefecimento, segundo Quadros, foi provocado por dois efeitos. O primeiro foi a queda de 2,39% nos preços de automóveis de passageiros, após a alta de 0,08% em maio, como reflexo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos. A segunda contribuição, relatou o coordenador, veio dos preços agropecuários. A soja, por exemplo, saiu de uma alta de 10,05%, em maio, para um aumento menor, de 4,30%, em junho. O feijão, por sua vez, teve deflação de 1,93% ante alta de 8,67% em maio.

Incertezas com a soja

Quadros informou que os preços estão devolvendo as fortes altas registradas desde abril, influenciadas por problemas climáticos no Brasil e na Argentina. Ele avaliou, contudo, que a agropecuária pode voltar a exercer pressões de alta sobre o IPA, dadas as incertezas com a soja nos Estados Unidos.

O país enfrenta escassez de chuva, além do clima quente, o que pode prejudicar a safra deste ano. "Mais para o final do período de coleta do IGP-M, percebemos que houve um repique nos preços agropecuários, principalmente na soja, por conta das dúvidas sobre a produção dos Estados Unidos.

Esperávamos que houvesse um arrefecimento maior nos preços do grão nesta medição, mas ela não aconteceu", informou. "Nos últimos dias, esse repique deu uma travada na desaceleração", acrescentou. Desde abril, a soja vem subindo fortemente nos IGPs. No IGP-M de abril, teve uma participação de 0,69 ponto porcentual, ou de 71% no IPA. Em junho, a contribuição caiu quase à metade e foi de 0,33 ponto porcentual, ou de 45,22%.

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