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Soraya Sáenz de Santamaría afirmou que problema de bancos espanhóis afeta somente parte do sistema financeiro local

A união dos países que compartilham o euro precisa ir além da moeda, e a Europa deve voltar a confiar em si mesma para crescer, segundo a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría. A política ressaltou ainda que o problema enfrentado pelo setor bancário espanhol afeta somente “parte do sistema financeiro“. “Elaboramos um diagnóstico para o seguinte caso: se ocorresse uma hecatombe, de quanto recurso precisaria o sistema financeiro espanhol? Em uma situação apocalíptica, chegamos à conclusão de que precisaríamos de 62 bilhões de euros”, afirmou.

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Em Santander, onde participa de um evento sobre a América Latina, Soraya defendeu que a Europa precisa avançar em maior integração. “Precisamos de uma maior união fiscal dos estados-membros da zona do euro. Uma união monetária é mais do que compartilhar uma divisa. É preciso estabelecer uma união bancária que permita a adoção de melhores instrumentos de regulação”, afirmou.

Soraya Sáenz de Santamaría, vice-premiê da Espanha: maior integração da Europa
Divulgação
Soraya Sáenz de Santamaría, vice-premiê da Espanha: maior integração da Europa

“Não são com declarações (que vamos conseguir superar a crise). Precisamos cumprir um calendário para marcar um caminho que devolva a confiança na UE. Quando a Europa acreditou em si mesma, cresceu”, disse. Para a política, a Espanha está cumprindo os deveres que assumiu. “Estamos assentando as bases para as reformas. Trabalhando pela consolidação fiscal, cortando custos. Queremos gastar melhor com menos recursos”, afirma.

Essas reformas se destinam a melhorar a competitividade do país e elaborar uma saída para os quase cinco milhões de desempregados no país. “Em seis meses o governo mudou o estatuto dos trabalhadores que estava sem mudanças há 30 anos”, destaca Soraya. A política destacou ainda a reforma administrativa que o governo tenta implementar na Espanha. Caso seja sancionada em setembro, a lei de transparência punirá o gestor público que não cumprir as exigências de gasto estabelecidas pelo governo central.

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Isso porque o país, segundo ela, está se esforçando para levar seu déficit público ao limite estabelecido pela União Europeia, através do maior controle das finanças nacionais. “Vamos sanear o sistema financeiro, que é sólido e forte, com exceção de pequenas entidades”, ressaltou.

América Latina

Para Soraya, os países latino-americanos podem ajudar a Espanha a superar a crise financeira pela qual passa. “A América Latina se converteu em um eixo central dos negócios globais, e a Espanha conta com ingredientes necessários para as empresas latino-americanas”, afirmou. “Pode confiar e investir na Espanha”, completou.

Segundo a política, a crise abre oportunidades de negócios a empresas latino-americanas na Europa. “A Espanha quer ser uma das portas de entrada dessas empresas. Apostamos na atração de investimentos da América Latina no país. Isso vai trazer benefícios à Espanha, à Europa e à Ibero-América. Para dinamizar essa relação, a Espanha quer combater a burocracia existente para a abertura de pequenas empresas. “Vamos simplificar as normas para que qualquer pessoa gaste menos tempo e dinheiro para montar uma empresa”, ressalta a vice-premiê espanhola.

Soraya alertou ainda que momentos de crise despertam protecionismo, algo que deve ser enfrentado. “As fronteiras se diluem e os problemas se difundem. As dimensões de um país afetam todos os outros. Os problemas não podem ser abordados a partir de uma perspectiva individualista”, concluiu.

A repórter viajou a convite do Santander

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