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Segundo dados da Receita Federal, a contribuição da indústria no recolhimento de tributos federais é cada vez menor

Zayda Bastos Manatta, secretária da Receita
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Zayda Bastos Manatta, secretária da Receita

A secretária-adjunta da Receita Federal, Zayda Manatta, afirmou nesta terça-feira que a arrecadação de impostos neste ano está crescendo apoiada no consumo, aumento da massa salarial e venda de bens e serviços.

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Ao contrário de quase todo o ano passado, a produção industrial tem dado contribuição cada vez menor para o recolhimento dos tributos. Segundo dados do relatório da Receita Federal sobre a arrecadação de maio, as vendas de bens e serviços tiveram crescimento de 2,9% em maio, na comparação com o mesmo período de 2011.

Já a massa salarial teve variação de 11%, e o valor das importações cresceu 6,01% no mês passado, ante o mesmo período de 2011. A produção industrial, que já vinha em baixa, caiu 2,87% na mesma comparação. Há meses a indústria praticamente não aparece na lista dos segmentos que mais contribuíram para o crescimento da arrecadação.

As entidades financeiras e o comércio varejista são os setores que puxaram o avanço do recolhimento de tributos em maio. Em uma lista de 10 segmentos, a única atividade industrial que aparece é a de fabricação de bebidas. Zayda também lembrou que a desoneração adotada pelo governo pode, indiretamente, levar a um aumento de arrecadação. "Algumas medidas que o governo toma causam uma mexida na economia. Isso pode eventualmente provocar a arrecadação de outro produto.

O governo está desonerando IPI, mas isso pode render arrecadação maior de PIS/Cofins", disse. De acordo com a secretária-adjunta, deverá ser feita, em julho, uma revisão da arrecadação prevista para 2012 no Orçamento da União para considerar medidas adotadas pelo governo recentemente e que reduzem as estimativas. É caso da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da decisão de zerar a Contribuição sobre Intervenção no Domínio Público (Cide).

"A gente acredita que a arrecadação vai crescer neste ano, mas num índice menor do que o do ano passado", afirmou Zayda. A expectativa é que a expansão da arrecadação fique entre 4% e 4,5% neste ano. Em maio, a arrecadação foi de R$ 77,971 bilhões, o que representou crescimento real de 3,82%.

Segundo Zayda, o desempenho no mês passado foi diretamente influenciado pela menor lucratividade das empresas. O recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) teve queda real 9,6% no mês passado, na comparação com igual período de 2011. Já a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) registrou redução real de 4,7% no mesmo período.


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