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Segundo chefe do departamento econômico da autoridade monetária, empréstimos cresceram juntamente com a renda

Tulio Maciel rechaça risco ao sistema de crédito
AE
Tulio Maciel rechaça risco ao sistema de crédito

Ao analisar os dados de maio sobre as operações de crédito no país, o chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, rebateu as conclusões de um relatório do Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco dos bancos centrais , e disse que o BC está "muito tranquilo" com o ritmo de crescimento dos empréstimos.

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“Não há risco no ritmo de expansão do crédito no Brasil nos últimos anos”, disse Maciel nesta terça-feira. Ele completou que o crédito cresceu juntamente com a renda e com a incorporação de novos “agentes no mercado de trabalho”.

Em seu informe anual, o BIS mostrou que o Brasil está na zona de risco , com expansão do crédito em um ritmo muito mais rápido que o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos três anos.

Segundo o chefe do Depec, em termos estruturais, olhando um horizonte mais longo, se observa uma moderação do crédito, de um crescimento de 25% ao ano entre 2005 e 2008 para 18% entre 2009 e 2012.

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O técnico do BC disse que o crédito no país partiu, nos últimos anos, de um ponto relativamente baixo. Ele argumentou que só agora a relação crédito/PIB ultrapassou a marca de 50% no Brasil, enquanto em outros países esse indicador está acima de 75%, chegando até a 200% em alguns casos.

Muito desse crescimento está associado à expansão do crédito imobiliário dentro de “uma política de redução do déficit habitacional, com grande alcance social”, acrescentou Maciel. Essa modalidade atingiu 5,4% do PIB em maio.

“No padrão internacional é um patamar baixo. Em alguns países, só essa modalidade supera 50% do PIB”, disse. Ele destacou também que o crédito imobiliário se caracteriza por inadimplência baixa (1,7%) e tem grande alcance social. “As famílias estão saindo do aluguel, uma despesa de consumo, para formação de ativo.”

O chefe do Depec fez questão de ressaltar que o crescimento do crédito no Brasil se dá sob supervisão bastante rígida. “A regulação do crédito tem parâmetros mais rigorosos do que os recomendados internacionalmente. Temos grau de capitalização, liquidez e provisionamento elevados”, disse.

Na segunda-feira, o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, afirmou que o próprio relatório do BIS já reconhecia que a expansão do crédito no país arrefeceu. A leitura que ele fez do documento é diferente da opinião dos que viram ali um alerta contra uma suposta bolha de crédito no país. “O relatório olhou para trás”, disse o diretor.

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