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Entidades apresentam desafios da América Latina para desenvolvimento sustentável na Rio+20

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (Cepal) lançaram nesta quarta-feira (20) o documento “Os Desafios do Desenvolvimento Sustentável para a América Latina na Rio+20 ”. O estudo propõe uma visão integrada entre os aspectos econômicos, sociais e ambientais e traz sugestões como a cobrança de taxas adicionais para as atividades econômicas que geram danos mais severos ao meio ambiente.

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Secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena citou, como exemplo, os gastos com subsídios para a produção de combustível fóssil que, em alguns países da região, superam os investimentos em saúde. Segundo estudos da Cepal, a Venezuela utilizou, em 2010, o equivalente a 5,1% do PIB para incentivar a produção de combustível fóssil. No mesmo ano, o país gastou apenas 1,8% do PIB em saúde pública. “Será que é mais importante racionalizar o custo da gasolina que oferecer segurança social às famílias?”, questionou.

Diante das críticas dos países ricos de que a América Latina insiste na questão social ao abordar metas de sustentabilidade, Alicia destaca que não poderia ser diferente. “Somos não a mais pobre, mas sim a região mais desigual do mundo. E isso conspira contra qualquer tipo de desenvolvimento. Por essa razão, temos que nos esforçar para promover a igualdade”, afirmou.

De acordo com Alicia, a regão já fez grandes avanços na questão social. Em 1992, lembra, 48% da população da América Latina e Caribe eram pobres. Hoje, esse percentual caiu para 18%. Mas, de acordo com a secretária esxecutiva da Cepal, ainda há muito por fazer a fim de oferecer melhores condições de vida à população da região, o que ela considera essencial para promover a sustentabilidade.

Em relação ao acordo aprovado na Rio+20, a presidenta do Ipea, Vanessa Petrelli Côrrea destacou que, a despeito de não ser um documento perfeito, o acordo possibilitou a inclusão, na discussão, das especificidades dos países menos favorecidos. “Isso já é uma vitória”, avaliou.

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