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Em discurso, presidente do BC reitera avaliação de que a economia ganhará força no decorrer do ano, com inflação em queda

Tombini vê crescimento puxado pela demanda interna, com desemprego menor e renda em alta
AE
Tombini vê crescimento puxado pela demanda interna, com desemprego menor e renda em alta

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou nesta terça-feira a avaliação de que a economia brasileira ganhará força nos próximos trimestres, em um cenário com inflação em queda.

Em discurso em São Paulo, Tombini afirmou que “no quarto trimestre de 2012 o Brasil estará crescendo a um ritmo de 4% na comparação com igual período de 2011. E crescerá acima de 4,5% no primeiro semestre de 2013, na mesma base de comparação”.

Segundo ele, dois conjuntos de fatores amparam essa perspectiva. Um deles é a sustentação da demanda doméstica, com desemprego em baixa e renda em ascensão. O outro é a redução de 400 pontos-básicos da taxa básica de juro (Selic) já promovida pelo Banco Central, juntamente com a flexibilização dos depósitos compulsórios (dinheiro que os bancos obrigatoriamente precisam deixar no BC), melhorando as condições de liquidez do sistema financeiro.

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Atualmente, a taxa Selic encontra-se em 8,5% ao ano e o mercado já trabalha com a expectativa de juro básico em 7,5% ao fim deste ano.

Para Tombini, ainda há espaço para ampliação do consumo no país. “É exatamente o consumo que dará propagação ao crescimento, incentivando a realização de novos investimentos privados, os quais darão suporte ao crescimento sustentável nos próximos anos.”

Esse ambiente, acrescentou o presidente do BC, será acompanhado de inflação controlada.

“A inflação tende a seguir em declínio, a se deslocar na direção da trajetória de metas. Essa dinâmica de convergência da inflação para a meta de 4,5% contribui para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, e é positivamente influenciada por elas”, disse.

“Nesse sentido, as expectativas de inflação implícitas apontam inflação entre 4,20% e 4,30% em 2012 e no caso do boletim Focus [pesquisa do BC junto aos analistas de mercado] também tem-se observado deslocamento na mesma direção.”

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O cenário internacional continua desafiador e a perspectiva é de crescimento abaixo da tendência de longo prazo nos principais blocos econômicos, afirmou o presidente do Banco Central. Esse quadro, reiterou, tem impacto de neutro a desinflacionário para o Brasil.

Tombini repetiu a perspectiva de que os Estados Unidos devem manter ritmo de crescimento moderado, enquanto a China está desacelerando, mas tem condições de conduzir um “pouso suave” da economia.

Sobre a Europa, Tombini citou que, depois de ter melhorado no fim de 2011 e início deste ano, a crise sofreu uma recaída com a Grécia e aumentaram as preocupações com Espanha e Itália.

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