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Delegação brasileira deve pressionar a União Europeia, em especial a Alemanha, a contrabalançar os seus planos de austeridade com mais medidas de estímulo no bloco

Com uma agenda de pressionar por mais estímulo econômico na zona do euro – o epicentro da turbulência global do momento – a presidenta Dilma Rousseff chegou neste domingo ao balneário de Los Cabos, na costa mexicana do Pacífico, para a cúpula do G20, o grupo que reúne os principais entre países emergentes e industrializados do mundo.

Em contraste com o cenário paradisíaco de Los Cabos, onde as delegações apressadas dos países dividem espaço com turistas de férias nos luxuosos resorts da zona hoteleira, o encontro promete ser dominado pelas preocupações com a estabilidade global, que ainda depende de definições após as eleições gregas.

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Como já vem expressando em encontros multilaterais, a delegação brasileira deve pressionar a União Europeia, em especial a Alemanha, a contrabalançar os seus planos de austeridade com mais medidas de estímulo no bloco, a fim de reverter a desaceleração econômica, ou mesmo crescimento negativo, que já se observa tanto em países avançados como emergentes.

Essa ideia tem sido defendida também por outras delegações que já estão em Los Cabos, como a China, os Estados Unidos e a França, e alguns países até então alinhados com as ideias de austeridade, como o Canadá e a Grã-Bretanha. O que deixa a Alemanha mais isolada e sob pressão para o encontro.

Já na segunda-feira de manhã, antes da abertura oficial do G20, Dilma tem na agenda um encontro com outros chefes de Estado dos países Brics – Rússia, Índia, China e África no Sul – para discutir um plano de barganha para conseguir mais poder de voz em organismos multilaterais em troca de disponibilizar recursos para conter a crise.

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Em abril, o grupo se comprometeu a contribuir para um aumento de capital de US$ 430 bilhões para que o Fundo Monetário International (FMI) dobre os recursos da sua muralha anticrise, mas preferiu não precisar os números até esta reunião.

Depois, Dilma participa das sessões plenárias agendadas para os próximos dois dias, e se encontra em caráter bilateral com os líderes italiano, Mário Monti, russo, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

A presidente brasileira vem acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participará da reunião com os Bric, e de um jantar e um almoço com os seus colegas da área econômica ao longo dos encontros.

Expectativas

Este encontro do G20 tem sido considerado o mais importante desde que o grupo se encontrou em Londres em abril de 2009 para atuar em conjunto contra a crise, ainda no seu início.

Naquela ocasião, os líderes divulgaram o maior pacote de estímulos fiscais e apoio ao sistema financeiro na era moderna, além de ter elevado em centenas de bilhões de dólares os recursos disponíveis para os países a fim de evitar a expansão da crise.

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Mas agora, além da dificuldade de encontrar o equilíbrio entre a austeridade e o ajuste fiscal, soma-se o fato de todos os países se encontrarem em situação pior, tanto do ponto de vista das contas públicas como do ponto de vista do dinamismo econômico.

O Brasil tem entoado o coro de que as ações de política monetária, ainda que tenham evitado uma crise no setor bancário, não são suficientes para criar dinamismo econômico e empregos.

Em um livro publicado por ocasião da reunião de Los Cabos, o G20 republica o discurso da presidente Dilma Rousseff durante uma visita aos Estados Unidos cujas linhas gerais continua a mesma.

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No discurso, na Universidade de Harvard, Dilma reconheceu a importância da medida do Banco Central Europeu (BCE) de emprestar, em dezembro passado e em fevereiro deste ano, quase 1 trilhão de euros aos bancos da zona do euro a juros baixos.

Mas alertou que "muitas ameaças ainda persistem", e que o mundo só poderá deixar a crise para trás quando as ações procurarem beneficiar os mercados domésticos dos países em crise, e as economias com superávits orçamentários – como a Alemanha – adotarem políticas de investimento, não apenas de arrocho fiscal.

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