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Negociadora espanhola afirma que país defenderá economia de baixo carbono na conferência da ONU, que acontece no Rio de Janeiro

A Espanha considera que a crise econômica é um elemento que tem que ser levado em consideração nas negociações da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, afirmou nesta sexta-feira uma das negociadoras espanholas.

"A crise, claro, é um elemento que está presente em todas as negociações e que afeta todas as decisões que serão adotadas em outros âmbitos", afirmou à Agência Efe Guillermina Yanguas, diretora de Qualidade e Avaliação Ambiental e Meio Natural do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente. Ao ser perguntada sobre o alcance que poderia ter a proposta de fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), defendida pela Espanha e pela União Europeia (UE) em geral, a diretora citou o impacto da crise.

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"Em princípio, o que a Espanha apoia é que se reforce o papel institucional do Pnuma e, de acordo com o consenso das negociações, parece que o melhor é reforçar o papel deste programa sem definir, por enquanto, qual será a fórmula que será adotada finalmente", acrescentou. As propostas para aumentar a autonomia do Pnuma e dotar este organismo com um orçamento próprio de acordo com suas necessidades ainda não é um consenso entre os negociadores.

Também há divergências sobre a aprovação de novos recursos para financiar o cumprimento das medidas que deverão ser aprovadas na Rio+20, conferência que contará com a participação de cerca de 130 chefes de Estado e de Governo, já que os países pobres defendem a criação de um fundo de US$ 30 bilhões ao ano.

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"Tudo tem um custo e estamos em uma conjuntura em que é difícil assumir custos. Por isso é preciso trabalhar para aproveitar as estruturas que dispomos para garantir que as decisões que serão tomadas tenham força suficiente", assegurou Guillermina à Agência Efe no centro de convenções Riocentro, onde será realizada a reunião. Guillermina afirmou que as outras propostas que os negociadores espanhóis estão concentrados são referentes à implementação da economia verde, "de baixo de carbono", e o reconhecimento do direito humano à água e ao saneamento.

"É relevante a aposta espanhola pelo reconhecimento do direito humano à água e ao saneamento. A Espanha tem especial protagonismo nesta proposta, a qual conta com o apoio da União Europeia", afirmou. Segundo a diretora, "a Espanha, por sua localização, por sua situação e por sua sensibilidade ao tema, considera que o acesso à água tem que ser reconhecido como um direito do homem".

Em relação à "economia verde", assunto que gera divergências de alguns países e ONGs que consideram o tema como um instrumento para que as empresas privadas se apropriem de recursos naturais, a funcionária assegura que a Espanha tem uma posição clara. "A definição deste conceito é que a economia tem que levar em conta a variável ambiental como uma variável importante. O desenvolvimento só pode ser considerado desenvolvimento se for sustentável e se respeitar o meio ambiente", completou.

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