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A cada cinco ingressos comprados pela internet, consumidor gasta o equivalente a um novo bilhete somente em taxa de conveniência

A cada cinco ingressos comprados pela internet, o brasileiro gasta o equivalente a um novo bilhete somente em taxa de conveniência.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), os sites chegam a cobrar 20% do preço do ticket pela conveniência da aquisição online - o que não inclui a entrega.

A prática, considerada abusiva pela Fundação Procon, já rendeu multas milionárias às empresas, que alegam ser custoso manter uma infraestrutura que garanta a comodidade ao cliente.

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Para o Procon-SP, a situação é outra. “A taxa remunera uma conveniência que não existe”, diz o diretor de fiscalização do órgão, Renan Ferraciolli.

Para ele, a cobrança só se justifica quando a compra é realizada em meio não presencial, como internet ou telefone, e os ingressos são recebidos em casa.

“Hoje o cliente paga pelo simples fato de usar um desses canais de venda, o que não faz sentido, já que é algo inerente ao serviço prestado por essas empresas”, afirma.

Nos últimos dez anos, a fundação aplicou R$ 4,6 milhões em multas às companhias que vendem tickets online - sendo as taxas abusivas uma das principais irregularidades. A maioria dos sites, contudo, está recorrendo na Justiça e apenas uma pequena parte deste valor foi paga até agora.

Práticas do mercado

A cobrança porcentual é um dos principais itens de questionamento. “O serviço é o mesmo independentemente do tipo de acomodação, então não faz sentido cobrar valores diferentes”, destaca Ferraciolli. Pesquisa da Proteste, realizada em março deste ano, aponta que as taxas variam de 15% a 20% do preço do bilhete.

Tickets for Fun e Ingressocerto.com praticam as cobranças mais elevadas, enquanto Ingresso Fácil e Ingresso.com aparecem na outra ponta. A Ingresso Rápido, por sua vez, pratica 18%.

Procurada, a Tickets for Fun afirma que a cobrança de 20% é um padrão adotado pelo mercado no País, com exceção do Rio de Janeiro.

A empresa afirma que a comodidade implica custos, como a manutenção de uma estrutura de call center e a constante atualização dos serviços de venda e distribuição de tickets. Ingressocerto.com e Ingresso Fácil não retornaram o pedido de entrevista. Já a ingresso.com não foi encontrada. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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