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ONG ambientalista diz que frigorífico não respeitou acordo de 2009 para não comprar bovinos oriundos de fazendas envolvidas com trabalho escravo ou desmatamento

A JBS divulgou nesta quarta-feira comunicado negando várias acusações feitas à empresa pelo Greenpeace, que afirma que a empresa violou compromisso público, assinado em 2009, de não comprar bovinos de áreas de desmatamentos da Amazônia, terras indígenas ou de fazendas que estejam envolvidas com trabalho escravo.

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"As informações que mencionam a JBS no relatório são falsas, enganosas, incorretas e induzem a sociedade a uma conclusão equivocada sobre a realidade dos fatos. Por esse motivo, a companhia interpelará judicialmente o Greenpeace e buscará todos os meios jurídicos cabíveis para a reparação dos danos materiais e à sua imagem causados pelas informações equivocadas divulgadas", diz o comunicado da JBS encaminhado nesta terça-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A JBS responde, no comunicado, às acusações. Sobre a aquisição de gado das fazendas Vento Sul, Muiraquitã e JK Pneus, a empresa diz que as propriedades não aparecem na lista de restrições do Ibama. A empresa diz também que a última compra realizada da Fazenda Flor da Mata foi em 15 de julho de 2011, quando a fazenda não constava na listagem do Ibama, o que se deu apenas em 02 de dezembro de 2011. Sobre a Fazenda Tesouro Vienense, a última compra realizada pela JBS desse fornecedor foi no dia 25 de novembro de 2011, quando a fazenda também não estava na listagem, o que aconteceu em 28 de dezembro de 2011.

Sobre a Fazenda Pantera, a empresa diz que ela não está dentro da Terra Indígena Apyterewa, como alegado, mas situada a 339,15 quilômetros de distância da divisa dessa reserva. "A área indígena mais próxima da fazenda Pantera é a Badjonkore, que está localizada a 11,13 quilômetros de distância, conforme mapa do polígono da propriedade. Portanto, a fazenda está fora dos limites de qualquer área indígena." No caso da Fazenda Santa Rita de Cássia, acusada de aquisição de gado de propriedade com mão de obra análoga à escravidão, a empresa afirma que a fazenda, localizada no município de Juara (MT), é de propriedade de Antônio Carlos Rangel de Almeida e não do senhor Fabiano Queiroz, conforme citado. "O senhor Antônio Carlos Rangel de Almeida não consta na lista do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A propriedade do senhor Fabiano Queiroz, citado no relatório, tem o mesmo nome (Santa Rita de Cássia), porém está localizada no município de Nova Monte Verde, no Mato Grosso, e encontra-se bloqueada na lista de fornecedores da JBS." Sobre a Fazenda Panorama, a propriedade não consta no cadastro de fornecedores da JBS. E a unidade Pampeano Alimentos, acusada de ser abastecida com matéria-prima de seu frigorífico em Barra do Garças (SIF 42), não é da JBS, afirma a empresa.

Em relação às outras nove fazendas mencionadas no relatório da ONG apontadas como localizadas na Terra Indígena Marãiwatsede, a companhia tem os pontos georreferenciados dessas propriedades localizados fora da área da reserva. "É importante ressaltar que o acordo assumido com o Greenpeace estabelece que as propriedades devam ser bloqueadas para compra de gado após a ciência inequívoca pela JBS da comprovação de sua localização em terras indígenas.

Até o momento, recebemos apenas uma única notificação por parte do Ministério Público Federal e todas as fazendas lá mencionadas encontram-se bloqueadas no sistema da companhia." A empresa afirma ainda que mantém relações diretas somente com produtores que atuam na etapa de engorda e terminação de animais, a qual é monitorada.

"O completo monitoramento dos fornecedores indiretos de animais por parte da JBS e de qualquer outra empresa do setor somente será possível quando existir um sistema de rastreabilidade no País que permita a identificação da origem do gado desde o nascimento até sua terminação. É importante frisar que consta no acordo com o Greenpeace a reavaliação desse ponto devido à sua complexidade. "

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