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ÍCrescendo desde janeiro, os atrasos no pagamento de prestações de carros subiu quase 100% em relação a abril de 2011

O saldo de inadimplência no crédito direto ao consumidor (CDC) para compra de veículos registrou alta de 0,2 ponto porcentual em abril ante março e chegou a 5,9% dos consumidores, informou nesta quarta-feira a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). A taxa ficou perto de dobrar em relação a abril do ano passado, quando foi de 3,2%. A curva de inadimplência se mantém ascendente desde os 2,6% de janeiro de 2011. Esses dados, no entanto, ainda não refletem as medidas de incentivo à venda de veículos anunciadas pelo governo federal em 21 de maio.

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O presidente da Anef, Décio Carbonari, afirmou que três fatores explicam a alta da inadimplência: a inflação de 2011, que teria comprometido a renda dos consumidores, as medidas macroprudenciais do governo federal no ano passado e o aumento do nível de endividamento das famílias.

"A expectativa era de que já houvesse uma reversão da curva", comentou Carbonari. "Estamos ansiosos. Esperávamos mudanças a partir de março e abril. Tradicionalmente, a inadimplência sobe no início do ano em consequência de férias, IPVA, etc. Mas em março ela sempre volta a recuar. Neste ano, isso não ocorreu."

As medidas de incentivo à venda de veículos anunciadas no fim de maio, segundo Carbonari, não devem mexer no perfil de endividamento. "Essas medidas não atingem quem já está endividado", justificou. "Quem está buscando carro é o consumidor de maior renda, que paga à vista ou dá uma entrada maior e com isso consegue prestações menores. Além disso, a taxa de desemprego se manteve estável e a renda média não caiu."

De acordo com a Anef, o saldo total das carteiras de financiamento de veículos, que inclui CDC e leasing, fechou o mês de abril em R$ 200,7 bilhões, alta de 5,3% ante igual mês de 2011, e queda de 0,3% em relação a março (R$ 201,4 bilhões). Foi a primeira vez em dez anos que ocorreu uma redução do saldo em relação ao mês anterior.

Essa baixa, no entanto, deve ser revertida a partir dos dados de maio, que já medem os efeitos das medidas anunciadas pelo governo no dia 21. Segundo Carbonari, houve aumento de 70% a 80% no número de propostas de crédito enviadas aos bancos das montadoras nos últimos dez dias do mês passado.

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