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Expectativa de crescimento cada vez menor da economia e as incertezas externas devem levar a taxa de juros a um patamar mais baixo, segundo o economista Sérgio Vale

A queda na inflação apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 0,64% em abril para 0,36% em maio, dá margem para que o Banco Central diminua ainda mais a taxa básica de juro nos próximos meses.

A avaliação foi feita nesta quarta-feira pelo economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, logo após a divulgação do IPCA pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o economista, o arrefecimento na inflação, a expectativa de crescimento cada vez menor da economia e as incertezas externas podem até levar a Selic a um patamar ainda mais baixo do que o atual nível histórico de 8,50% ao ano.

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"Mudamos a previsão de agosto de 8,0% para 7,5%, abrindo espaço para que a Selic possa chegar a 7% ou até 6,5%, algo que tem que começar a ser cogitado. Especialmente porque a crise europeia ainda tem o que piorar e jogar a atividade doméstica para baixo", comentou.

De acordo com Vale, será muito difícil a economia brasileira registrar expansão de 2% em 2012, taxa que já seria inferior à registrada em 2011, quando o Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 2,70%. Apesar dessa estimativa, o economista ainda não alterou sua projeção para o PIB deste ano, que continua em 2,50%. "Mas caminhamos para um cenário que será difícil crescer 2% em 2012", disse.

Diante dos sinais cada vez mais fortes de um crescimento fraco da atividade este ano, Vale acredita que este é mais um motivo para o BC continuar cortando o juro básico. "É mais uma janela de oportunidade, como tivemos em 2008. Dessa vez, o BC, mais coordenado com a Fazenda, não deixará escapar a chance de baixar a Selic o máximo que for possível. Essas janelas de oportunidade servem para isso mesmo e será bem-vindo esse movimento do BC agora", afirmou.

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