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Fundo Garantidor de Crédito contratou a PriceWaterhouse Coopers para fazer uma auditoria na instituição ficanceira; interventores ainda não sabem tamanho exato do rombo no banco

Os novos administradores do Cruzeiro do Sul vão levantar, com base na data desta segunda-feira, um balanço para apurar as condições financeiras do banco, sob intervenção do Banco Central, segundo informou Antonio Carlos Bueno, diretor executivo do FGC em coletiva de imprensa.

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O objetivo é apurar pontos como patrimônio líquido, valores que precisam ser contabilizados e aportados. O FGC teve três ou quatro dias para ver os números do banco. A partir desta segunda-feira é que teve contato efetivo com os indicadores. A PriceWaterhouseCoopers foi contratada para fazer a auditoria. "As carteiras do banco de crédito estão boas", disse Bueno.

O Cruzeiro do Sul criou um fundo de recebíveis (FIDC) exclusivo do FGC de R$ 4,2 bilhões. O FGC se compromete a comprar cotas de até R$ 3,7 bilhões. Desse total, já comprou R$ 1,1 bilhão e hoje aportou mais R$ 200 milhões na carteira. O fundo é administrado pelo Bradesco.<O banco está funcionando normalmente. No primeiro dia, tem alguns problemas operacionais, sobretudo na área tecnológica, e ainda antes do encerramento do expediente devem ser resolvidos.

Os próprios funcionários do banco estão ajudando nesse processo, segundo o executivo. "O fundo está entrando com seu conhecimento de mercado", disse Bueno. Os antigos administradores tiveram seus mandatos extintos, mas vão continuar ajudando no processo de administração temporária. As responsabilidades serão apuradas, de acordo com Bueno.

O FGC quer conhecer os números do Cruzeiro do Sul de forma a ajudá-lo a sair da administração temporária mais forte do que entrou. Os vencimentos serão honrados, incluindo os Certificados de Depósitos Bancários (CDB). A intervenção do BC foi anunciada oficialmente nesta segunda-feira, mas havia sido antecipada no domingo pela Agência Estado.

Ainda não há um número oficial quanto ao tamanho do rombo do Cruzeiro do Sul, estimado, até o momento, em R$ 1,3 bilhão, segundo o diretor executivo do FGC. "Tudo indica que esse é o número, mas não sabemos com exatidão".

O Cruzeiro do Sul chegou a ser negociado para venda, mas Bueno disse que havia muitas incertezas sobre sua real situação. Por isso, optou-se por não vender a instituição agora e entrar com o regime de administração temporária para sanear o banco. O objetivo do FGC é evitar perdas aos credores.

O FGC foi notificado pelo BC na quinta-feira. Os problemas do Cruzeiro do Sul foram detectados em uma carteira de crédito específica e antiga, dentro dos balanços, informou Bueno, sem no entanto fornecer mais detalhes. Os fundos de recebíveis estão sendo examinados neste primeiro momento.

Se o Cruzeiro do Sul fosse liquidado, o FGC teria de arcar com R$ 2,2 bilhões no banco, incluindo DPGE (Depósito a Prazo com Garantia do Fundo) e mais depósitos. Além disso, o Cruzeiro do Sul tem mais R$ 2,8 bilhões em passivos no exterior.

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