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Cotação da moeda dos EUA reproduz sentimento de aversão ao risco predominante no mercado internacional, após dados econômicos decepcionantes na China e zona do euro

O dólar abriu em alta nesta sexta-feira, reproduzindo o sentimento de aversão ao risco predominante no mercado internacional, após novos dados econômicos decepcionantes na China e zona do euro. Às 9h59, a moeda norte-americana subia 0,97%, a R$ 2,037.

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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre também não ajudou. Segundo o IBGE, a expansão da economia local foi de apenas 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2011 e ficou no piso do intervalo das estimativas do mercado (0,20% a 0,80%, com mediana de 0,50%).

Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB brasileiro subiu 0,8% nos primeiros três meses deste ano, resultado dentro das estimativas (0,60% a 2,10%, com mediana de 1,30%). Em valores correntes, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 1,033 trilhão.

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No mercado futuro, às 9h15, o dólar para julho de 2012 subia 0,39% na BM&F, para R$ 2,0405, após abrir em R$ 2,0440 (+0,54%) e oscilar até esse horário entre R$ 2,0460 (+0,64%) e R$ 2,040 (+0,34%).

Em Nova York, às 9h17, o euro estava em US$ 1,2324, ante US$ 1,2366 no fim da tarde de ontem. O dólar recuava a 78,106 ienes, de 78,30 ienes ontem, mas subia a 0,9744 franco suíço ante 0,9197 franco suíço na véspera. A moeda norte-americana também avança ante outras divisas ligadas a commodities, como o dólar australiano (+0,84%), o dólar canadense (+0,53%) e o dólar neozelandês (+0,65%).

Mais cedo, os dados de atividade manufatureira da China e da zona do euro, principalmente da Espanha, piores do que o esperado já deixaram os mercados nervosos.

A expectativa agora volta-se para os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que saem daqui a pouco. Se as previsões de criação de 155 mil vagas de trabalho em maio nos EUA, ante 115 mil em abril, com a taxa de desemprego estável, em 8,1%, não se confirmarem, a primeira sessão de junho nos mercados pode reproduzir o clima tenebroso visto em maio.

As commodities e as bolsas da Ásia, Europa e os índices futuros em Nova York exibem novas perdas, que poderão se aprofundar ao longo do dia, dependendo do resultado do payroll norte-americano. O temor é de uma contração ainda maior na demanda mundial. O petróleo reage com o barril abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde outubro de 2011.

Os números fracos da China também elevam expectativas de que o governo adotará novas medidas para estimular o crescimento. Hoje, o BC chinês valorizou o yuan, em resposta a uma mudança de metodologia de cálculo, com redução da influência do dólar e busca de uma cesta ponderada de moedas. O índice de atividade industrial oficial (PMI) chinês recuou a 50,4 em maio, abaixo do esperado (51,5). A leitura final do indicador medido pelo HSBC marcou 48,4 no mês passado, inferior ao número preliminar (48,7).

Na zona do euro, o custo do seguro da dívida da Espanha e da Itália contra default subiu para níveis recordes nesta sexta-feira, após a queda do índice de atividade manufatureira (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro para 45,1 em maio, o menor patamar em três anos, de 45,9 em abril.

A deterioração da economia da Espanha foi revelada pela queda do PMI para 42,0 em maio, o menor patamar desde maio de 2009, de 43,5 em abril. Já a Grécia, apesar das incertezas políticas e fiscais, registrou um aumento do PMI para 43,1 em maio, o maior patamar em oito meses, afirmou a Markit Economics.

O desemprego alto na região, porém, continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento da economia, além dos problemas fiscais e políticos. Em abril, houve aumento do número de desempregados para o nível mais alto já registrado na história da união monetária, segundo dados da Eurostat. Na zona do euro havia 17,4 milhões de pessoas desempregadas nos 17 países do bloco em abril, um aumento de 110 mil desde março e de 1,8 milhão em comparação com abril do ano passado. Esse é o nível mais alto desde janeiro de 1995. Os números revelam ainda grande desigualdade entre os países membros. Enquanto na Alemanha a taxa de desemprego caiu de 5,5% em março para 5,4% em abril, na Espanha houve alta de 24,1% para 24,3% e em Portugal a taxa cresceu de 15,1% para 15,2%.

Na tentativa de amenizar a crise local, o governo espanhol poderá anunciar suporte financeiro para regiões na próxima semana, segundo a agência Dow Jones.

Já nos 27 países da União Europeia a taxa de desemprego aumentou para 10,3% em abril, de 10,2% em março, com um total de 24,7 milhões de pessoas sem trabalho. Vale lembrar que os mercados no Reino Unido fecham na próxima segunda e terça-feira, por causa do feriado prolongado para comemoração do jubileu de diamante da rainha Elizabeth II.

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