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Medida foi tomada por conta do aumento do IPI, os preços devem subir para minimizar as perdas com a taxação, o que pode reduzir o consumo

O aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o setor de bebidas e a queda de estimativas na produção da Ambev fizeram com que o Deutsche Bank decidisse cortar o preço-alvo para as ações da companhia, de R$ 76,15 para R$ 71,00. Com esse valor, o papel teria um potencial de desvalorização de 8% em 12 meses.

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A recomendação da instituição financeira, porém, continuou sendo de manutenção do investimento nos ativos. Para o banco alemão, a operação brasileira deve ser impactada negativamente pelo aumento do IPI. O imposto passará a incidir sobre 52,5% do valor final do produto, contra os 30% anteriores, a partir de outubro.

Dessa maneira, os preços devem subir para minimizar as perdas com a taxação, o que pode reduzir o consumo. O Deutsche espera volumes menores de vendas no quarto trimestre deste ano e durante 2013. A instituição ressalta, por outro lado, que os reajustes serão realizados sempre no décimo mês do ano, em um período no qual historicamente as empresas aumentam os preços dos produtos de modo a refletir a inflação.

Além disso, ao visitar a fábrica argentina da companhia, o Deutsche encontrou um cenário deteriorado, segundo afirmou em relatório. Com uma menor produção, as projeções de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foram reduzidas entre 3% e 4% para este ano e o próximo. A indústria cervejeira em geral está em contração na Argentina desde o início deste trimestre.

A estimativa dos analistas Jose Yordan e Rebeca Sarmiento, que assinam o relatório, é que a alta no volume vendido esteja desacelerando para algo entre 1% e 5%. "Durante nossa viagem, ouvimos de diversas fontes que os volumes de venda de cerveja caíram de 7% a 8% até agora no trimestre, enquanto a expansão de bebidas não alcoolicas está menor", revelam. Uma possibilidade levantada pelo banco alemão é a de que a queda na confiança do consumidor argentino está fazendo com que comprem menos.

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